Neuropatias periféricas

Neuropatia periférica é o nome dado às doenças dos nervos que ligam a medula ao restante do corpo. Costuma causar formigamento, dormência, queimação ou fraqueza, geralmente começando pelos pés. O diabetes é a causa mais comum, mas há muitas outras. O tratamento depende de encontrar a causa e de aliviar os sintomas.

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Senhora sentada na cama pela manhã, com os pés descalços no piso de madeira

O que são os nervos periféricos?

Os nervos periféricos são os "fios" que saem da medula e chegam à pele, aos músculos e aos órgãos. Eles levam ao cérebro as informações de tato, dor, temperatura e posição do corpo, e trazem de volta os comandos para os músculos se moverem. Outros nervos, chamados autonômicos, regulam funções automáticas, como pressão arterial, suor e funcionamento do intestino.

Neuropatia periférica é o termo usado quando esses nervos adoecem. Como os nervos mais longos são os mais vulneráveis, os sintomas costumam começar pelos pés e, com o tempo, podem chegar às mãos. É o padrão conhecido como "em bota e luva".

Quais são os sintomas?

Os sintomas variam conforme o tipo de nervo afetado:

  • formigamento, sensação de agulhadas ou de "pés dormentes";
  • dormência e perda de sensibilidade, como se estivesse usando uma meia grossa;
  • queimação ou choques, muitas vezes piores à noite;
  • fraqueza para ficar na ponta dos pés, subir escadas ou abrir potes;
  • desequilíbrio, principalmente no escuro ou de olhos fechados;
  • câimbras e perda de massa muscular nos pés e nas pernas;
  • tontura ao levantar, alterações do suor ou do intestino, quando os nervos autonômicos são atingidos.

Em geral, o quadro se instala devagar, ao longo de meses ou anos. Muitas pessoas só percebem quando tropeçam com mais frequência ou notam feridas nos pés que não doem.

Mãos tocando a perna, com os pés apoiados sobre a cama
Formigamento e dormência que começam nos pés e sobem aos poucos são o padrão mais comum das neuropatias.

Quais são as causas mais comuns?

A lista de causas é longa, e encontrar a origem é a parte central da avaliação. As mais frequentes são:

  • Diabetes e pré-diabetes: a causa mais comum no mundo.
  • Deficiência de vitamina B12 e de outras vitaminas.
  • Consumo de álcool por tempo prolongado.
  • Medicamentos: alguns quimioterápicos e outros remédios de uso contínuo.
  • Doenças da tireoide e dos rins.
  • Causas autoimunes e inflamatórias, em que o sistema de defesa ataca os nervos.
  • Causas hereditárias, que passam de pais para filhos e costumam ter pés muito arqueados e evolução lenta.
  • Infecções, como hanseníase e HIV.

Em uma parte dos casos, nenhuma causa é encontrada mesmo após investigação completa. Ainda assim, há tratamento para os sintomas e acompanhamento para proteger a função.

Quando procurar um neurologista?

Procure avaliação quando o formigamento ou a dormência persistirem por mais de algumas semanas, quando houver queimação que atrapalha o sono, fraqueza, quedas ou feridas nos pés que você não sentiu surgir. Quem tem diabetes deve ter os pés examinados com regularidade, mesmo sem queixas.

Sinal de alerta: fraqueza que piora em horas ou poucos dias, principalmente se sobe das pernas para os braços ou vem com dificuldade para respirar ou engolir, exige atendimento de urgência. Ligue 192 ou procure o pronto-socorro.

Como é feita a investigação?

A investigação começa pela conversa: quando os sintomas apareceram, como evoluíram, quais doenças e medicamentos existem, hábitos de alimentação e de consumo de álcool, e casos parecidos na família.

Em seguida vem o exame neurológico, que testa força, reflexos, equilíbrio e os diferentes tipos de sensibilidade, com instrumentos simples como diapasão e monofilamento. Esse exame mostra quais nervos estão envolvidos e orienta os pedidos seguintes:

  • Exames de sangue: glicemia, hemoglobina glicada, vitamina B12, função da tireoide e dos rins, entre outros conforme o caso.
  • Eletroneuromiografia: mede a condução dos nervos e a resposta dos músculos. Ajuda a confirmar a neuropatia, definir o tipo e a gravidade.
  • Outros exames, como estudo genético ou do líquor, em situações específicas.

Como é o tratamento?

O tratamento tem duas frentes que caminham juntas.

A primeira é tratar a causa, sempre que ela for identificada: controlar o diabetes, repor vitaminas, interromper o álcool, ajustar um medicamento ou tratar uma doença inflamatória. Essa é a medida que pode interromper a lesão e, em alguns casos, permitir a recuperação dos nervos, que é lenta.

A segunda é aliviar os sintomas. A queimação e os choques respondem a medicamentos próprios para dor de origem nervosa, diferentes dos analgésicos comuns. A fisioterapia trabalha força e equilíbrio e reduz o risco de quedas. Órteses e calçados adequados ajudam quando há fraqueza nos pés.

O acompanhamento periódico permite avaliar a evolução e ajustar o plano.

Que cuidados ajudam no dia a dia?

Quando a sensibilidade dos pés diminui, pequenos machucados passam despercebidos e podem se complicar. Alguns hábitos protegem:

  • olhar os pés todos os dias, incluindo a planta e entre os dedos, com ajuda de um espelho ou de um familiar;
  • usar calçados fechados e confortáveis, e nunca andar descalço;
  • testar a temperatura da água do banho com a mão ou o cotovelo;
  • cortar as unhas retas e hidratar a pele;
  • manter boa iluminação em casa e retirar tapetes soltos;
  • praticar atividade física regular, conforme orientação.

Esses cuidados são simples, mas fazem diferença real para manter a autonomia.

Homem idoso caminhando em um parque arborizado
Olhar os pés todos os dias e manter-se ativo ajudam a prevenir feridas e quedas.

Perguntas frequentes

Não. Formigamento passageiro acontece com qualquer pessoa, por exemplo ao ficar muito tempo na mesma posição. Também pode vir de problemas na coluna, de má circulação ou de ansiedade. Levanta suspeita de neuropatia o formigamento que persiste por semanas, aparece nos dois pés, sobe aos poucos pelas pernas ou vem com dormência, queimação ou desequilíbrio.

Sim, é a causa mais frequente. O açúcar elevado por anos lesa os nervos mais longos, e por isso os sintomas começam nos pés. A neuropatia pode aparecer até na fase de pré-diabetes. O controle da glicemia é a principal forma de evitar a progressão, junto com o cuidado diário com os pés, porque a perda de sensibilidade favorece feridas.

É um exame que mede como os nervos conduzem os estímulos elétricos e como os músculos respondem. Usa pequenos choques na pele e, em uma segunda parte, uma agulha fina no músculo. Causa algum desconforto, mas é rápido e seguro. Ajuda a confirmar a neuropatia, mostrar o tipo de lesão e a gravidade. Nem todos os casos precisam dele.

Depende da causa. Quando ela é tratável, como a falta de vitamina B12, alterações da tireoide, uso de álcool ou de um medicamento específico, os nervos podem se recuperar, de forma lenta, ao longo de meses. Em outras causas, o objetivo é impedir a piora, aliviar a dor e o formigamento e preservar o equilíbrio e a autonomia.

Pode. A vitamina B12 é necessária para a manutenção dos nervos, e a falta dela causa formigamento, dormência, desequilíbrio e, às vezes, alterações de memória. É mais comum em idosos, em quem fez cirurgia bariátrica, em vegetarianos estritos e em quem usa certos medicamentos por muito tempo. O diagnóstico é feito por exame de sangue, e a reposição é simples.

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