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title: "Epilepsia"
canonical: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/epilepsia
updated: 2026-10-02
author: "Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231"
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# Epilepsia

**Resposta direta:** Epilepsia é uma condição neurológica em que o cérebro tem tendência a gerar crises epilépticas repetidas, sem um fator provocador imediato. Uma crise isolada não significa epilepsia. O diagnóstico se baseia no relato das crises, no eletroencefalograma e na ressonância. Na maioria dos casos, as crises são controladas com medicamentos de uso contínuo.

> **Em caso de urgência:** crise que dura mais de 5 minutos, crises seguidas sem que a pessoa recupere a consciência, primeira crise da vida, ferimento, gestação ou dificuldade para respirar exigem atendimento imediato. Ligue 192 (SAMU) ou procure o pronto-socorro. O WhatsApp do consultório não é canal de urgência.

## Crise epiléptica e epilepsia são a mesma coisa?

Não. A crise epiléptica é um evento: uma descarga elétrica anormal e passageira de um grupo de neurônios, que pode causar desde uma breve "ausência" até uma convulsão com queda e abalos no corpo todo. Já a epilepsia é a condição em que o cérebro tem tendência duradoura a repetir essas crises, sem um fator provocador imediato.

Uma pessoa pode ter uma crise isolada, por exemplo por queda importante do açúcar no sangue ou por abstinência de álcool, e nunca mais ter outra. Por isso o diagnóstico de epilepsia depende de uma avaliação cuidadosa, e não apenas do fato de ter havido uma crise.

## Quais são os tipos de crise?

As crises são agrupadas conforme a região do cérebro onde começam:

- **Crises focais:** começam em uma área restrita do cérebro. A pessoa pode ter sensações estranhas (cheiro, gosto, mal-estar que sobe do estômago), movimentos repetidos de um braço ou do rosto, ou ficar com o olhar parado e não responder por alguns instantes. Algumas evoluem para uma convulsão.
- **Crises generalizadas:** envolvem os dois lados do cérebro desde o início. A mais conhecida é a crise tônico-clônica (a convulsão), com perda de consciência, rigidez e abalos.
- **Crises de ausência:** desligamentos muito breves, de poucos segundos, mais comuns em crianças. Podem ser confundidos com distração.

Nem toda crise tem abalos. Muitas passam despercebidas por anos, e o relato de quem presencia é o que permite reconhecê-las.

## O que fazer durante uma crise?

A maioria das crises termina sozinha em um a três minutos. O papel de quem está perto é proteger, não interromper:

1. Mantenha a calma e marque o tempo no relógio.
2. Afaste móveis e objetos que possam machucar.
3. Proteja a cabeça com algo macio, como um casaco dobrado.
4. Assim que possível, vire a pessoa de lado, para a saliva escorrer.
5. Afrouxe roupas apertadas no pescoço.
6. Fique ao lado até a recuperação completa da consciência.

O que não fazer: não coloque nada na boca (ninguém "engole a língua"), não tente segurar os movimentos, não ofereça água, comida ou remédio durante a crise e não jogue água no rosto.

## Quando ligar 192?

Ligue para o SAMU (192) quando:

- a crise durar mais de 5 minutos;
- houver crises seguidas, sem que a pessoa recupere a consciência entre elas;
- for a primeira crise da vida;
- houver ferimento, queda com batida forte da cabeça ou crise dentro da água;
- a pessoa estiver grávida ou tiver diabetes;
- houver dificuldade para respirar ou a pessoa não acordar depois da crise.

Em quem já tem o diagnóstico e apresenta uma crise habitual, curta e com boa recuperação, o atendimento de emergência nem sempre é necessário. Vale combinar com o neurologista um plano claro para essas situações.

## Como é feita a investigação?

A consulta é a parte mais importante. Como a pessoa quase nunca se lembra da crise, o relato de uma testemunha faz muita diferença. Se for possível, traga à consulta alguém que presenciou o episódio. Um vídeo da crise gravado no celular ajuda muito a identificar o tipo.

Os exames mais usados são:

- **Eletroencefalograma (EEG):** registra a atividade elétrica do cérebro e pode mostrar alterações típicas. Um exame normal não exclui epilepsia.
- **Ressonância magnética do crânio:** procura cicatrizes, malformações ou outras alterações que expliquem as crises.
- **Exames de sangue:** avaliam causas metabólicas e servem de base para o acompanhamento do tratamento.

Parte da investigação é também afastar outras condições que se parecem com crise epiléptica, como desmaios, alterações do sono e crises de origem emocional.

## Como é o tratamento?

O tratamento é feito, na maior parte dos casos, com medicamentos anticrise, de uso diário e contínuo. A escolha considera o tipo de crise, a idade, outras doenças, outros remédios em uso e o planejamento de gravidez. Cerca de dois terços das pessoas ficam sem crises com o medicamento adequado.

O ponto mais importante é a regularidade. Esquecer doses ou interromper o remédio por conta própria é a causa mais comum de retorno das crises, e a parada brusca pode provocar crises prolongadas. Qualquer mudança deve ser combinada em consulta.

Quando as crises persistem mesmo com o uso correto de medicamentos, existem outras opções, como dieta específica, estimulação do nervo vago e cirurgia, avaliadas caso a caso em centros dedicados.

## O que pode desencadear crises?

Em quem tem epilepsia, alguns fatores facilitam o aparecimento de crises:

- noites mal dormidas e privação de sono;
- bebidas alcoólicas, principalmente em excesso;
- esquecimento de doses do medicamento;
- febre, infecções e estresse intenso;
- em uma parcela pequena das pessoas, luzes piscantes.

Reconhecer os próprios gatilhos e manter rotina de sono regular faz parte do tratamento.

## Como é a vida com epilepsia?

Com as crises controladas, a maioria das pessoas estuda, trabalha, pratica esporte e forma família. Alguns cuidados valem a conversa com o neurologista:

- **Trabalho:** atividades em altura, com máquinas ou com direção profissional pedem avaliação individual.
- **Direção:** a liberação depende de um período sem crises e das regras do Detran.
- **Gestação:** deve ser planejada com antecedência, para ajuste do tratamento.
- **Banho e natação:** preferir chuveiro a banheira e nadar sempre acompanhado enquanto as crises não estiverem controladas.

Informar familiares, colegas e professores sobre o que fazer em uma crise reduz o medo e o preconceito, que muitas vezes pesam mais do que a própria condição.

## Perguntas frequentes

### Toda convulsão é epilepsia?

Não. Uma crise pode acontecer uma única vez na vida, provocada por febre alta na infância, queda importante de açúcar no sangue, abstinência de álcool, traumatismo ou uso de certas substâncias. Fala-se em epilepsia quando existe tendência duradoura a ter crises sem um fator provocador imediato. Por isso, toda primeira crise merece avaliação médica.

### O que fazer quando alguém tem uma crise?

Mantenha a calma e marque o tempo. Afaste objetos que possam machucar, proteja a cabeça com algo macio e, assim que possível, vire a pessoa de lado. Não coloque nada na boca, não tente segurar os movimentos e não ofereça água ou remédio. Fique ao lado até a recuperação completa. Se a crise passar de 5 minutos, ligue 192.

### Epilepsia tem cura?

Depende da causa. Algumas formas da infância desaparecem com o crescimento. Em muitos adultos, o objetivo é o controle: cerca de dois terços das pessoas ficam sem crises com o medicamento adequado. Depois de anos sem crises, o neurologista pode avaliar a redução gradual do tratamento. Casos que não respondem aos medicamentos têm outras opções, avaliadas individualmente.

### Quem tem epilepsia pode dirigir?

Em muitos casos, sim, desde que as crises estejam controladas e as regras de trânsito sejam respeitadas. No Brasil, a liberação depende de um período mínimo sem crises, de parecer do médico assistente e da avaliação do perito do Detran. Enquanto as crises não estiverem controladas, dirigir coloca em risco a própria pessoa e os outros. Converse com o seu neurologista sobre o seu caso.

### Posso parar o remédio se fiquei sem crises?

Não por conta própria. Ficar sem crises costuma ser sinal de que o medicamento está funcionando, e não de que ele deixou de ser necessário. A interrupção brusca pode provocar crises mais fortes e prolongadas. Quando faz sentido reduzir, isso é feito aos poucos, com plano definido em consulta e acompanhamento.

### Mulheres com epilepsia podem engravidar?

Sim. A maioria das mulheres com epilepsia tem gestação e bebê saudáveis. O ideal é planejar: alguns medicamentos são mais seguros que outros na gravidez, as doses podem precisar de ajuste e o uso de ácido fólico costuma começar antes da concepção. Nunca suspenda o tratamento ao descobrir a gravidez. Procure o neurologista e o obstetra o quanto antes.

> As informações desta página têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Agendamento: WhatsApp (43) 99945-8190.
