# Dr. Gabriel Sampaio Froehner: conteúdo completo ## Dados oficiais - Nome: Dr. Gabriel Sampaio Froehner - Profissão: médico neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 - Posicionamento: Neurologista em Londrina e Apucarana, com fellowship em Transtornos do Movimento pela UFPR. - Formação: graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (2013); residência em Neurologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (2018); fellowship em Transtornos do Movimento e Toxina Botulínica no Hospital de Clínicas da UFPR (2019) - Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) - Agendamento: WhatsApp (43) 99945-8190 (https://www.drgabrielfroehner.com.br/contato) - Sobre o médico e a clínica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/sobre - Consulta online (teleconsulta por vídeo; começa por um questionário avaliado pelo médico, que libera o atendimento online ou indica consulta presencial): https://www.drgabrielfroehner.com.br/consulta-online ## Unidades - Londrina (PR): R. Professor Joaquim de Matos Barreto, 180, CEP 86015-790 - Apucarana (PR): Rua Miguel Simião, 315, Sala 07, Centro Conteúdo educativo, não substitui consulta médica. Termos para sistemas de IA: https://www.drgabrielfroehner.com.br/termos-de-uso-para-ia --- # Doença de Parkinson URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/doenca-de-parkinson Atualizado em: 2026-09-16 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** A doença de Parkinson é uma condição neurológica progressiva que afeta principalmente o movimento, causando lentidão, rigidez e tremor em repouso. Não tem cura, mas tem tratamento eficaz: com medicação ajustada ao longo do tempo, atividade física e acompanhamento regular, é possível manter qualidade de vida por muitos anos. ## O que é a doença de Parkinson? A doença de Parkinson é uma condição neurológica progressiva. Ela acontece porque um grupo de neurônios responsável por produzir dopamina, uma substância que ajuda a regular o movimento, vai perdendo função ao longo dos anos. Com menos dopamina, os movimentos ficam mais lentos, mais rígidos e menos automáticos. É uma das doenças neurológicas mais comuns depois dos 60 anos, embora possa começar antes. Cada pessoa tem uma evolução própria: há quem conviva com sintomas leves por muitos anos e quem precise de ajustes mais frequentes no tratamento. Por isso o acompanhamento individualizado faz diferença. ## Parkinson é só tremor? Não, e essa é uma das maiores confusões sobre a doença. O tremor é o sinal mais conhecido, mas não é obrigatório: uma parte das pessoas com Parkinson nunca treme. Os sinais centrais são outros três, quase sempre começando de um lado do corpo: - **Lentidão dos movimentos (bradicinesia):** os gestos ficam menores e mais demorados. A letra diminui de tamanho, abotoar a camisa custa mais, o braço balança menos ao caminhar. - **Rigidez:** os músculos ficam mais tensos, como se houvesse uma resistência constante. Pode causar dor no ombro ou sensação de "corpo travado". - **Tremor em repouso:** o tremor aparece com a mão parada, apoiada no colo ou ao caminhar, e costuma diminuir quando a mão entra em ação. Com o tempo, podem surgir alterações de marcha e equilíbrio, passos mais curtos e postura inclinada para a frente. ## Quais sintomas não têm a ver com movimento? A doença de Parkinson também tem sintomas não motores, que às vezes aparecem anos antes do tremor ou da lentidão: - diminuição do olfato; - intestino preso persistente; - alterações do sono, como sonhos muito agitados em que a pessoa "briga dormindo"; - desânimo, ansiedade ou depressão; - mais adiante, queixas de memória e de raciocínio mais lento. Reconhecer esses sintomas importa porque muitos deles têm tratamento próprio e influenciam bastante a qualidade de vida. ## Quando procurar um neurologista? Vale procurar avaliação quando a pessoa ou a família nota lentidão que não existia, tremor novo em uma das mãos, rigidez, mudança na letra, voz mais baixa, rosto menos expressivo ou passos arrastados. Nenhum desses sinais confirma a doença por si só, mas todos merecem investigação. Quanto mais cedo o diagnóstico correto é feito, mais cedo começa o tratamento e o planejamento do cuidado, incluindo a atividade física, que tem papel comprovado na evolução. ## Como é feito o diagnóstico? O diagnóstico da doença de Parkinson é essencialmente clínico. Na consulta, o neurologista reconstrói a história dos sintomas com o paciente e a família e faz o exame neurológico completo, observando marcha, tônus muscular, coordenação, reflexos e a forma do tremor. Exames de imagem, como a ressonância magnética do crânio, podem ser solicitados para afastar outras causas de parkinsonismo, como alterações vasculares. Em situações específicas, outros exames ajudam. Mas não existe exame de rotina que confirme sozinho a doença: a avaliação clínica cuidadosa continua sendo o padrão. Existem também os chamados parkinsonismos atípicos, condições mais raras que se parecem com a doença de Parkinson no início, mas evoluem de forma diferente. Distingui-los faz parte do acompanhamento ao longo do tempo. ## Como é o tratamento da doença de Parkinson? O tratamento é medicamentoso, individualizado e ajustado ao longo dos anos. Os remédios repõem ou imitam a ação da dopamina e melhoram a lentidão, a rigidez e o tremor. A escolha do esquema depende da idade, dos sintomas predominantes, da rotina e da resposta de cada pessoa. Com a evolução da doença, podem aparecer flutuações: períodos em que a medicação funciona bem alternando com períodos de retorno dos sintomas, além de movimentos involuntários chamados discinesias. Esses fenômenos são manejáveis com ajustes finos de doses e horários, e é justamente aí que o acompanhamento próximo com o neurologista faz mais diferença. A atividade física regular é parte do tratamento, não um complemento opcional. Fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional entram conforme a necessidade: marcha e equilíbrio, voz e engolir, atividades do dia a dia. ## Como a família pode ajudar? O cuidado com a pessoa com Parkinson é um trabalho de equipe. A família ajuda observando os horários em que os sintomas pioram ou melhoram, acompanhando as consultas, incentivando o exercício e adaptando a casa para reduzir risco de quedas: boa iluminação, barras de apoio, tapetes fixos ou removidos. Também é importante cuidar de quem cuida. Dividir tarefas, buscar informação de qualidade e trazer as dúvidas à consulta tornam o caminho mais leve para todos. ## Perguntas frequentes ### Tremor sempre é Parkinson? Não. O tremor mais comum na população é o tremor essencial, que é uma condição diferente, costuma aparecer quando as mãos estão em ação e muitas vezes vem de família. O tremor da doença de Parkinson aparece tipicamente com a mão parada, em repouso. Só a avaliação neurológica consegue diferenciar as causas com segurança. ### Existe exame que confirma a doença de Parkinson? O diagnóstico é essencialmente clínico: é feito pela história dos sintomas e pelo exame neurológico. Exames de imagem, como a ressonância magnética, podem ser solicitados para afastar outras causas, mas nenhum exame de rotina confirma sozinho a doença. Por isso a consulta detalhada é tão importante. ### Parkinson tem cura? Ainda não há cura, mas há tratamento eficaz. Os medicamentos repõem ou imitam a dopamina que o cérebro deixou de produzir e melhoram bastante os sintomas. Com ajustes ao longo dos anos, atividade física regular e reabilitação, muitas pessoas mantêm autonomia e qualidade de vida por longo tempo. ### A doença de Parkinson é hereditária? Na maioria dos casos, não. Formas genéticas existem, mas são minoria, mais lembradas quando a doença começa cedo ou quando há vários casos na mesma família. Ter um parente com Parkinson aumenta pouco o risco individual. Se houver preocupação familiar, o tema pode ser conversado na consulta. ### Quem tem Parkinson pode fazer exercício físico? Pode e deve. A atividade física regular é parte do tratamento: ajuda a marcha, o equilíbrio, a força e o humor, e há evidências de que contribui para a evolução mais lenta das limitações. O tipo de exercício é ajustado à condição de cada pessoa, de caminhada e musculação a dança e fisioterapia. ### Com que frequência preciso ir ao neurologista? Depende da fase da doença e da resposta ao tratamento. No início ou após ajustes de medicação, os retornos costumam ser mais próximos. Com o quadro estável, consultas a cada quatro a seis meses são comuns. O intervalo é definido em conjunto, considerando sintomas, efeitos da medicação e necessidades da família. --- # Tremores URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/tremores Atualizado em: 2026-09-16 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** Tremor é um movimento rítmico e involuntário de uma parte do corpo, mais comum nas mãos. Nem todo tremor é doença de Parkinson: a causa mais frequente é o tremor essencial, que costuma aparecer em ação e pode ser familiar. A avaliação neurológica identifica a causa e orienta o tratamento adequado. ## O que é tremor? Tremor é um movimento involuntário, rítmico e oscilatório de uma parte do corpo. As mãos são o local mais comum, mas ele pode afetar a cabeça, a voz, o queixo e as pernas. Todo mundo tem um tremor fisiológico muito fino, quase invisível; ele vira uma queixa quando ganha amplitude e passa a atrapalhar a escrita, a alimentação ou o trabalho. Tremor não é um diagnóstico, é um sintoma. O papel da avaliação neurológica é descobrir qual é o tipo e a causa, porque o tratamento muda completamente conforme a resposta. ## Qual a diferença entre tremor de repouso e tremor de ação? Essa é a primeira pergunta que o neurologista responde ao examinar: - **Tremor de repouso:** aparece com o membro parado e relaxado, por exemplo com a mão apoiada na perna, e tende a diminuir quando a mão entra em movimento. É o padrão típico da doença de Parkinson. - **Tremor de ação:** aparece quando o membro está em atividade, ao segurar um copo, escrever ou apontar para um alvo. É o padrão típico do tremor essencial. Observar em que situação o tremor surge, há quanto tempo existe e se há outros sintomas juntos já orienta boa parte do diagnóstico. ## Tremor essencial e doença de Parkinson são a mesma coisa? Não. São as duas causas mais lembradas de tremor, mas são condições diferentes. A tabela resume as diferenças mais úteis no dia a dia: | Característica | Tremor essencial | Tremor da doença de Parkinson | |---|---|---| | Quando aparece | Em ação: segurar, escrever, servir | Em repouso, com a mão parada | | Lados do corpo | Costuma ser dos dois lados | Começa de um lado | | Partes afetadas | Mãos, cabeça e voz | Mãos, queixo e pernas; raramente a cabeça | | História familiar | Frequente | Menos comum | | Sintomas associados | Em geral, nenhum | Lentidão, rigidez, alteração da marcha | | Efeito de pequenas doses de álcool | Costuma reduzir o tremor | Pouco efeito | Nenhum item da tabela fecha o diagnóstico sozinho. Casos de longa duração, ou com características misturadas, exigem exame cuidadoso e às vezes reavaliação ao longo do tempo. ## O que piora o tremor? Alguns fatores aumentam a amplitude de quase qualquer tremor: - cafeína em excesso; - ansiedade, nervosismo e situações de exposição, como assinar em público; - privação de sono e cansaço extremo; - alguns medicamentos, como certos remédios para náusea e tontura, alguns psiquiátricos e broncodilatadores; - alterações metabólicas, como o hipertireoidismo. Parte da consulta é justamente revisar medicamentos e hábitos, porque há tremores que melhoram muito só com a correção dessas causas. ## Como o tremor afeta a vida diária? Quem convive com tremor conhece o impacto prático: a letra que sai irregular, o café que derrama, o constrangimento de comer fora de casa, a dificuldade em tarefas finas no trabalho. Existe também o peso emocional, porque o tremor é visível e muitas pessoas passam a evitar situações sociais. Esse impacto é critério importante para decidir o tratamento. Tremor leve que não incomoda pode apenas ser acompanhado; tremor que limita a vida merece tratamento ativo. ## Como é a avaliação do tremor? Na consulta, o neurologista examina o tremor em diferentes posições: repouso, braços estendidos e movimento direcionado, além de observar escrita e desenho de espiral. O exame neurológico completo procura sinais associados, como rigidez ou alteração de marcha. Exames de sangue podem ser solicitados para avaliar causas metabólicas, como a função da tireoide, e exames de imagem entram quando há suspeita de causas específicas. Em muitos casos, o diagnóstico é clínico. ## Como é o tratamento? O tratamento depende da causa. No tremor essencial, existem medicamentos de uso contínuo com boa resposta em parte importante dos casos. Quando o tremor é situacional, há estratégias para momentos específicos. A toxina botulínica é opção em casos selecionados, especialmente no tremor de cabeça e de voz. Adaptações práticas ajudam no dia a dia: talheres com cabo mais grosso, canetas mais pesadas, copos com tampa. Quando a causa é um medicamento ou uma alteração metabólica, o foco é corrigir a origem. E no tremor da doença de Parkinson, o tratamento é o da própria doença. Em todas as situações, o objetivo é o mesmo: devolver função e confiança para as tarefas de todo dia. ## Perguntas frequentes ### Tremor essencial é hereditário? Com frequência, sim. Em cerca de metade dos casos há outras pessoas na família com o mesmo tipo de tremor, o que deu origem ao nome popular de tremor familiar. Ter história na família ajuda no diagnóstico, mas a ausência dela não afasta a condição. A avaliação clínica continua sendo o que define. ### Café piora o tremor? Pode piorar. A cafeína é um estimulante e tende a aumentar a amplitude do tremor em pessoas predispostas, assim como ansiedade, privação de sono e alguns medicamentos. Reduzir o café é uma das primeiras medidas práticas, mas raramente resolve sozinha: serve como ajuste de estilo de vida junto ao tratamento. ### Quando o tremor precisa ser investigado? Sempre que incomoda, atrapalha tarefas como escrever, comer ou trabalhar, ou quando gera dúvida sobre a causa. Também merece avaliação o tremor que começa de um lado só, em repouso, o que surge de forma súbita e o que vem acompanhado de outros sintomas neurológicos, como desequilíbrio ou alteração da fala. ### Tremor tem tratamento? Tem. O primeiro passo é identificar a causa: tremor essencial, efeito de medicamentos, alterações metabólicas como tireoide, doença de Parkinson, entre outras. No tremor essencial há medicamentos eficazes, e a toxina botulínica pode ajudar em casos selecionados, como o tremor de cabeça ou de voz. Adaptações práticas também reduzem o impacto no dia a dia. ### Tremor essencial vira doença de Parkinson? Não. São condições diferentes, com mecanismos e evoluções distintos. O tremor essencial pode aumentar lentamente de amplitude com os anos, mas não se transforma em Parkinson. Pessoas com tremor essencial têm risco apenas discretamente maior de desenvolver Parkinson ao longo da vida, e isso é exceção, não regra. ### Remédios podem causar tremor? Sim, e essa é uma causa frequente e reversível. Alguns medicamentos de uso comum, como certos remédios para náusea, tontura, psiquiátricos e broncodilatadores, podem provocar ou piorar tremor. Por isso é essencial levar à consulta a lista completa do que você usa, incluindo doses e há quanto tempo. --- # Distonias URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/distonias Atualizado em: 2026-09-16 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** Distonia é uma condição neurológica em que os músculos se contraem de forma involuntária e sustentada, gerando movimentos repetitivos ou posturas anormais, como a cabeça virada ou o piscar forçado. Não é tensão emocional nem falta de alongamento. Nas distonias focais, a toxina botulínica é o tratamento de primeira linha. ## O que é distonia? Distonia é uma condição neurológica em que grupos musculares se contraem de forma involuntária e sustentada. O resultado são movimentos repetitivos de torção ou posturas anormais: a cabeça que vira sozinha para um lado, os olhos que fecham com força, a mão que se retorce ao escrever. Diferente do que muitos pensam, distonia não é "nervosismo", tensão muscular comum ou falta de alongamento. É um distúrbio do controle motor, dos circuitos cerebrais que coordenam quais músculos devem contrair e quais devem relaxar em cada movimento. ## Quais são os tipos de distonia? As distonias são classificadas principalmente pela região do corpo afetada: - **Focal:** atinge uma única região. É o grupo mais comum em adultos. - **Segmentar:** atinge regiões vizinhas, como face e pescoço. - **Generalizada:** envolve grande parte do corpo. É mais rara e costuma começar na infância ou adolescência. Entre as distonias focais do adulto, as mais frequentes são a distonia cervical, o blefaroespasmo, a distonia oromandibular e laríngea e as distonias tarefa-específicas. ## O que é distonia cervical? A distonia cervical, também chamada de torcicolo espasmódico, é a distonia focal mais comum. Os músculos do pescoço contraem involuntariamente e puxam a cabeça para um lado, para frente ou para trás. Pode haver tremor da cabeça associado e, com muita frequência, dor cervical. Um detalhe curioso e útil para o diagnóstico: muitos pacientes descobrem um "truque sensitivo", como tocar de leve o queixo ou a bochecha, que reduz momentaneamente a contração. Esse fenômeno é característico da distonia. Sem diagnóstico, é comum passar anos tratando como "torcicolo comum", problema de coluna ou estresse. O reconhecimento correto muda o rumo do tratamento. ## O que são blefaroespasmo e distonia oromandibular? O **blefaroespasmo** é a distonia dos músculos ao redor dos olhos: o piscar aumenta de frequência e força até, nos casos mais intensos, manter os olhos fechados involuntariamente, atrapalhando leitura, direção e caminhada. Luz forte e vento costumam piorar. A **distonia oromandibular** afeta os músculos da mandíbula, língua e boca, com dificuldade para falar ou mastigar. Já a **distonia laríngea** atinge as pregas vocais e deixa a voz estrangulada, falhada ou sussurrada, com esforço para falar. ## O que são distonias tarefa-específicas? São distonias que aparecem apenas durante uma tarefa treinada e repetitiva. A mais conhecida é a câimbra do escrivão: ao escrever, a mão se contrai, os dedos apertam a caneta em excesso e a escrita se torna difícil, embora a mesma mão funcione normalmente nas demais atividades. Músicos podem desenvolver o equivalente no instrumento. Não é fraqueza, nem falta de técnica, nem problema psicológico. É uma condição neurológica reconhecida, e há opções de tratamento e reabilitação. ## Quando procurar um neurologista? Procure avaliação quando notar postura anormal involuntária da cabeça, piscar forçado que atrapalha a visão, contrações repetidas em qualquer região, dor cervical associada a virada involuntária da cabeça ou dificuldade específica em tarefas antes automáticas, como escrever. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais cedo começa o controle dos sintomas. ## Como é feita a avaliação? O diagnóstico da distonia é clínico. Na consulta, o neurologista observa as contrações, as posturas e os truques sensitivos, reconstrói a história do sintoma e examina o restante do sistema nervoso. Vídeos feitos em casa, mostrando o sintoma no momento em que aparece, ajudam bastante. Exames complementares, como ressonância ou exames laboratoriais, são solicitados conforme a suspeita, principalmente em distonias de início precoce, generalizadas ou acompanhadas de outros sinais neurológicos, em que causas específicas precisam ser investigadas. ## Como é o tratamento das distonias? Nas distonias focais do adulto, o tratamento de primeira linha é a toxina botulínica: aplicada em pequenas quantidades nos músculos que contraem em excesso, reduz a contração involuntária, a postura anormal e a dor. O efeito é temporário, e as aplicações são repetidas em ciclos regulares, com ajustes a cada reavaliação. Medicamentos orais podem complementar o tratamento em casos selecionados, e a fisioterapia especializada ajuda na postura, na dor e na função. Nas distonias tarefa-específicas, o retreinamento da tarefa tem papel importante. O plano é sempre individual, montado a partir do tipo de distonia, do incômodo e dos objetivos de cada pessoa. ## Perguntas frequentes ### Distonia é tensão muscular ou problema emocional? Não. A distonia é uma condição neurológica real, ligada ao funcionamento dos circuitos cerebrais que controlam o movimento. O estresse pode piorar os sintomas, como acontece em muitas doenças, mas não é a causa. Entender isso alivia a culpa que muitos pacientes carregam por anos até o diagnóstico correto. ### Distonia cervical causa dor? Com frequência, sim. A contração muscular sustentada no pescoço costuma doer, e a dor é uma das principais queixas de quem tem distonia cervical, junto com a postura anormal da cabeça. O tratamento com toxina botulínica, ao relaxar os músculos envolvidos, costuma melhorar tanto a postura quanto a dor. ### Distonia tem cura? A maioria das distonias não tem cura, mas tem controle. O tratamento reduz as contrações, a dor e o impacto na vida diária. Nas distonias focais, como a cervical e o blefaroespasmo, a toxina botulínica aplicada periodicamente mantém os sintomas controlados na maior parte dos casos, com boa qualidade de vida. ### Como a toxina botulínica ajuda na distonia? A toxina botulínica é aplicada em pequenas quantidades diretamente nos músculos que estão contraindo de forma involuntária. Ela reduz o excesso de contração desses músculos específicos, aliviando a postura anormal e a dor, sem afetar o restante do corpo. É considerada o tratamento de primeira linha nas distonias focais. ### De quanto em quanto tempo é preciso reaplicar a toxina? O efeito da toxina botulínica é temporário e costuma durar em torno de três a quatro meses, variando de pessoa para pessoa. Por isso as aplicações são programadas em ciclos regulares. A cada ciclo, o neurologista reavalia a resposta e ajusta os músculos e as quantidades para um resultado mais preciso. ### Escrever ou tocar instrumento pode causar distonia? Atividades manuais muito repetitivas estão associadas às distonias tarefa-específicas, como a câimbra do escrivão e a distonia do músico. Nelas, a contração involuntária aparece apenas durante aquela tarefa treinada. Não é fraqueza nem falta de prática: é uma condição neurológica que merece avaliação própria. --- # Espasmo hemifacial e blefaroespasmo URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/espasmo-hemifacial-e-blefaroespasmo Atualizado em: 2026-09-16 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** Espasmo hemifacial é a contração involuntária dos músculos de um lado do rosto; blefaroespasmo é o fechamento involuntário e forçado dos olhos. São condições diferentes do tremor de pálpebra comum, que é benigno e passageiro. Em ambas, a toxina botulínica é o tratamento de escolha, com bom controle dos sintomas. ## Olho tremendo é sempre doença? Não. O tremor fino de pálpebra que aparece em dias de cansaço, chamado mioquimia palpebral, é muito comum, benigno e passageiro. Costuma estar ligado a sono ruim, excesso de cafeína, tempo de tela e estresse, e desaparece sozinho. O cenário muda quando o fechamento dos olhos é forte e repetido, quando envolve os dois olhos ao mesmo tempo ou quando as contrações tomam um lado inteiro do rosto. Nesses casos, vale uma avaliação neurológica para diferenciar duas condições tratáveis: o blefaroespasmo e o espasmo hemifacial. ## O que é blefaroespasmo? O blefaroespasmo é uma distonia focal dos músculos ao redor dos olhos. O piscar aumenta de frequência e de força, de forma involuntária e nos dois olhos. Nos quadros mais intensos, as pálpebras se fecham por vários segundos e a pessoa fica funcionalmente sem enxergar naqueles momentos, mesmo com os olhos saudáveis. Luz forte, vento e leitura prolongada costumam piorar. Muitos pacientes relatam alívio com truques como assobiar, cantarolar ou tocar a têmpora, um fenômeno típico das distonias. O impacto na vida diária é grande: leitura, televisão e, sobretudo, dirigir tornam-se difíceis ou inseguros. ## O que é espasmo hemifacial? O espasmo hemifacial é a contração involuntária dos músculos de um lado só do rosto. Em geral começa discretamente, com repuxos ao redor de um olho, e ao longo de meses pode se estender à bochecha e ao canto da boca do mesmo lado. As contrações são breves, repetidas, e podem persistir até durante o sono. Na maioria dos casos, a causa é o contato de um pequeno vaso sanguíneo com o nervo facial na região em que ele sai do tronco cerebral. Esse contato gera disparos elétricos involuntários no nervo, e os músculos respondem contraindo. Não é, portanto, um problema emocional, ainda que o estresse intensifique os sintomas. ## Quando investigar e quando procurar um neurologista? Procure avaliação quando: - o fechamento dos olhos é forçado, frequente e atrapalha atividades; - as contrações envolvem um lado inteiro do rosto; - o quadro dura mais de algumas semanas ou está progredindo; - há outros sintomas neurológicos associados, como dor facial, alteração de força ou de sensibilidade; - o sintoma compromete a direção veicular ou o trabalho. O diagnóstico é clínico, feito pela observação do padrão das contrações. Vídeos gravados em casa, nos momentos de crise, ajudam muito na consulta. ## Quais exames podem ser solicitados? No espasmo hemifacial, a ressonância magnética do crânio costuma fazer parte da investigação, para visualizar o trajeto do nervo facial e afastar causas menos comuns de compressão. No blefaroespasmo, exames são solicitados conforme a suspeita clínica, principalmente quando há sinais atípicos. Em ambos os casos, o exame neurológico completo verifica se as contrações são o único achado ou se fazem parte de um quadro mais amplo, o que muda a investigação. ## Como é o tratamento? Nas duas condições, o tratamento de escolha é a toxina botulínica. Ela é aplicada em pequenas quantidades nos músculos que contraem involuntariamente, reduzindo a força e a frequência dos espasmos. A grande maioria das pessoas tem melhora expressiva e recupera atividades como ler e dirigir. O efeito é temporário, em geral de três a quatro meses, e as aplicações são programadas em ciclos regulares. A cada ciclo, o padrão de contração é reavaliado e o esquema de aplicação é ajustado. Medicamentos orais têm papel limitado, mas podem ajudar em casos selecionados. No espasmo hemifacial com compressão vascular bem documentada e sintomas refratários, existe também opção cirúrgica, discutida caso a caso com equipe neurocirúrgica. ## Como fica o dia a dia com o tratamento? Com o controle dos espasmos, a rotina tende a voltar ao normal. Óculos escuros ajudam na sensibilidade à luz, pausas em telas reduzem o desconforto e o sono regular diminui a intensidade das contrações entre os ciclos. O acompanhamento regular permite ajustar o intervalo das aplicações ao ritmo de cada pessoa, mantendo o resultado estável ao longo dos anos. ## Perguntas frequentes ### Olho tremendo é sempre preocupante? Quase nunca. O tremor fino e passageiro da pálpebra, chamado mioquimia, é muito comum e costuma estar ligado a cansaço, cafeína, tempo de tela e falta de sono. Ele desaparece sozinho em dias ou semanas. O sinal de alerta é quando o fechamento é forte, repetido, envolve os dois olhos ou se espalha pelo rosto. ### Estresse causa espasmo hemifacial? O estresse pode intensificar as contrações, mas não é a causa. Na maioria dos casos, o espasmo hemifacial acontece porque um vaso sanguíneo toca o nervo facial na sua origem, gerando disparos involuntários. Por isso o quadro não desaparece com técnicas de relaxamento e merece avaliação neurológica própria. ### Espasmo hemifacial precisa de ressonância? Em geral, sim. A ressonância magnética do crânio faz parte da investigação para visualizar o trajeto do nervo facial e afastar causas menos comuns que possam comprimir o nervo. O resultado ajuda a confirmar o mecanismo do espasmo e a planejar o tratamento com mais segurança. ### A toxina botulínica resolve o espasmo? A toxina botulínica é o tratamento de escolha tanto no espasmo hemifacial quanto no blefaroespasmo, com melhora expressiva das contrações na grande maioria das pessoas. O efeito é temporário, durando alguns meses, e as aplicações são repetidas em ciclos. A cada ciclo o esquema é ajustado ao padrão de cada paciente. ### Blefaroespasmo pode atrapalhar a direção e a leitura? Pode, e esse é um dos principais motivos para tratar. Nos casos mais intensos, os olhos fecham involuntariamente por segundos, o que compromete leitura, televisão, travessia de rua e principalmente a direção veicular. Com o tratamento adequado, a maioria das pessoas recupera essas atividades com segurança. ### Qual a diferença entre blefaroespasmo e espasmo hemifacial? O blefaroespasmo é uma distonia: afeta os músculos ao redor dos dois olhos, com piscar forçado e simétrico. O espasmo hemifacial afeta um lado só do rosto, começando geralmente ao redor de um olho e podendo se estender à bochecha e ao canto da boca do mesmo lado. As causas e a investigação são diferentes. --- # Ataxias URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/ataxias Atualizado em: 2026-09-16 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** Ataxia é a perda de coordenação dos movimentos, que se manifesta como desequilíbrio ao andar, fala arrastada e imprecisão nas mãos. Costuma indicar alteração no cerebelo ou em suas conexões. As causas vão de deficiências vitamínicas e efeitos de medicamentos a doenças genéticas, e a investigação orienta o tratamento. ## O que é ataxia? Ataxia significa perda de coordenação dos movimentos. A palavra descreve um conjunto de sintomas: desequilíbrio ao ficar de pé e andar, passos alargados e inseguros como se a pessoa estivesse "meio tonta", fala arrastada ou escandida, imprecisão das mãos ao pegar objetos e escrever. Na maioria das vezes, a ataxia indica alteração no cerebelo, a estrutura na parte de trás do cérebro que coordena e calibra os movimentos, ou nas vias que levam informação até ele, incluindo a sensibilidade profunda que vem das pernas. ## Quais são os sintomas da ataxia? Os sintomas variam conforme a causa e a evolução, mas os mais comuns são: - desequilíbrio ao andar, com necessidade de apoio ou de alargar os passos; - sensação de insegurança em pisos irregulares, escadas e no escuro; - incoordenação das mãos: erros de alvo, tremor ao final do movimento, letra irregular; - fala mais lenta, arrastada ou com ritmo entrecortado; - movimentos oculares alterados, com visão que "pula"; - quedas repetidas, muitas vezes o motivo da primeira consulta. ## Quais são as causas adquiridas? Uma parte importante das ataxias tem causa adquirida, e algumas são tratáveis ou reversíveis. Entre as mais relevantes: - deficiências de vitaminas, como B12 e E; - efeito de álcool em uso prolongado; - efeito colateral de medicamentos, incluindo alguns anticonvulsivantes e quimioterápicos; - alterações da tireoide; - doenças autoimunes e inflamatórias; - sequelas de AVC ou de outras lesões cerebelares; - infecções e causas paraneoplásicas, mais raras. Justamente porque há causas tratáveis, todo quadro de ataxia merece investigação estruturada, e não apenas o rótulo de "problema de equilíbrio da idade". ## O que são ataxias hereditárias? São ataxias causadas por alterações genéticas, que costumam evoluir lentamente ao longo dos anos e podem ter outros casos na família. As mais conhecidas são: - **Ataxia de Friedreich:** geralmente começa na infância ou adolescência, com desequilíbrio progressivo. Pode envolver também o coração e o metabolismo da glicose, exigindo acompanhamento multidisciplinar. - **Ataxias espinocerebelares (SCAs):** um grupo de dezenas de formas diferentes, em geral de início adulto, com padrões variados de sintomas. A história familiar costuma dar pistas do tipo. Nesses casos, o exame genético, feito a partir de uma amostra de sangue, pode confirmar o diagnóstico. A decisão de testar é conversada com calma, porque o resultado tem implicações para outros membros da família. O aconselhamento genético faz parte do cuidado. ## Quando procurar um neurologista? Procure avaliação quando o desequilíbrio é persistente ou progressivo, quando há quedas repetidas, quando a fala muda ou quando as mãos perdem precisão sem explicação. Sinais de início súbito, como desequilíbrio que aparece de uma hora para outra com dificuldade para falar, são situação de emergência: ligue 192 ou vá ao pronto-socorro. ## Como é feita a investigação? A consulta reconstrói a linha do tempo dos sintomas, os medicamentos em uso, os hábitos e a história familiar. O exame neurológico avalia marcha, equilíbrio, coordenação dos membros, fala, movimentos oculares e sensibilidade profunda. A investigação complementar costuma incluir ressonância magnética do crânio e exames de sangue direcionados às causas adquiridas. O exame genético entra quando a suspeita aponta para formas hereditárias. A ordem e a extensão dos exames são individualizadas: investiga-se o necessário, sem excessos. ## Como é o tratamento e o acompanhamento? O tratamento depende da causa. Quando existe causa tratável, corrigi-la é a prioridade e pode mudar o curso do quadro. Nas formas degenerativas e genéticas, o foco é preservar função e segurança: - **Reabilitação:** fisioterapia para equilíbrio e marcha, fonoaudiologia para fala e deglutição, terapia ocupacional para as tarefas do dia a dia. - **Prevenção de quedas:** adaptações em casa, calçados adequados e, quando necessário, dispositivos de apoio bem indicados. - **Manejo de sintomas associados:** câimbras, tremor, alterações urinárias e do sono, entre outros. - **Acompanhamento regular:** para ajustar o plano conforme a evolução e orientar paciente e família em cada fase. Viver com ataxia exige adaptações, mas com diagnóstico correto, reabilitação e acompanhamento, é possível manter atividade e autonomia por muito mais tempo. ## Perguntas frequentes ### Ataxia é sempre hereditária? Não. Existem muitas causas adquiridas: deficiência de vitaminas, efeito de medicamentos e álcool, alterações da tireoide, doenças autoimunes, sequelas de AVC e outras. Parte delas é tratável ou reversível. As formas genéticas, como a ataxia de Friedreich e as ataxias espinocerebelares, são um subgrupo dentro do quadro geral. ### Ataxia tem tratamento? Depende da causa. Quando há uma causa tratável, como deficiência vitamínica ou efeito de medicamento, corrigi-la pode melhorar ou estabilizar o quadro. Nas formas degenerativas e genéticas, o foco é a reabilitação, o manejo dos sintomas associados e a prevenção de quedas, com ganho real de função e segurança. ### Como é feito o exame genético para ataxia? É um exame de sangue comum, que analisa genes associados às ataxias hereditárias. A indicação é definida na consulta, considerando a história familiar e o padrão dos sintomas. O resultado tem implicações para a família, por isso vem sempre acompanhado de orientação e aconselhamento genético adequados. ### Fisioterapia ajuda na ataxia? Ajuda, e é um dos pilares do tratamento. Programas de fisioterapia voltados a equilíbrio e marcha melhoram a estabilidade, reduzem o risco de quedas e mantêm a independência por mais tempo. Fonoaudiologia e terapia ocupacional complementam o cuidado quando a fala, a deglutição ou as tarefas manuais são afetadas. ### Qual a diferença entre ataxia e labirintite? As duas causam sensação de desequilíbrio, mas são diferentes. Nas doenças do labirinto, predominam vertigem, sensação de ambiente girando, e crises com náusea. Na ataxia cerebelar, o desequilíbrio é constante, a marcha fica alargada e insegura e costuma haver incoordenação das mãos e alteração da fala. ### Ataxia de Friedreich aparece em que idade? A ataxia de Friedreich costuma começar na infância ou na adolescência, com desequilíbrio progressivo, embora existam formas de início mais tardio. Além do quadro neurológico, pode envolver o coração e o metabolismo da glicose, por isso o acompanhamento é multidisciplinar e inclui avaliação cardiológica periódica. --- # Toxina botulínica em neurologia URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/toxina-botulinica Atualizado em: 2026-09-16 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** A toxina botulínica é um medicamento aplicado em músculos ou glândulas específicos para reduzir contrações involuntárias, dor e outros sintomas neurológicos. Na neurologia, seu uso é terapêutico, diferente do uso estético, e a indicação depende de avaliação médica. O efeito dura alguns meses e a aplicação é repetida em ciclos. ## O que é a toxina botulínica de uso terapêutico? A toxina botulínica é um medicamento produzido a partir de uma proteína purificada, aplicado em pequenas quantidades diretamente em músculos ou glândulas específicos. Onde é aplicada, ela reduz temporariamente o excesso de atividade: músculos que contraem sem parar relaxam, glândulas que produzem em excesso diminuem a produção. Na neurologia, esse efeito é usado para tratar condições em que o excesso de contração ou de atividade causa sintomas: distonias, espasmos faciais, espasticidade, enxaqueca crônica, entre outras. É um tratamento consolidado, com décadas de uso clínico e critérios bem definidos de indicação. ## Qual a diferença entre o uso terapêutico e o estético? | Aspecto | Uso terapêutico (neurologia) | Uso estético | |---|---|---| | Objetivo | Reduzir sintomas: contrações, dor, salivação excessiva | Suavizar rugas de expressão | | Quem avalia | Médico, a partir de um diagnóstico neurológico | Profissional da área estética | | Músculos-alvo | Definidos pela condição, muitas vezes profundos | Musculatura da mímica facial | | Quantidades | Variam conforme a doença e o músculo | Em geral menores | | Acompanhamento | Ciclos integrados a um plano de tratamento | Conforme desejo do paciente | A substância é a mesma; o contexto, o planejamento e o objetivo são completamente diferentes. Nesta página, falamos exclusivamente do uso terapêutico. ## Como a toxina botulínica age? Para um músculo contrair, o nervo libera um mensageiro químico que dá a ordem de contração. A toxina botulínica bloqueia temporariamente a liberação desse mensageiro no ponto exato onde foi aplicada. Com menos ordens chegando, o músculo relaxa na medida planejada. O organismo renova essas conexões ao longo de semanas a meses, e por isso o efeito é reversível e a aplicação precisa ser repetida. Essa reversibilidade é uma característica de segurança do tratamento. ## Quais são as principais indicações neurológicas? - **Distonia cervical e outras distonias focais:** é o tratamento de primeira linha, reduzindo a postura anormal e a dor. - **Blefaroespasmo:** controla o fechamento involuntário dos olhos. - **Espasmo hemifacial:** reduz as contrações de um lado do rosto. - **Espasticidade após AVC e outras lesões neurológicas:** relaxa músculos encurtados e rígidos, facilitando a reabilitação, a higiene e o posicionamento. - **Enxaqueca crônica:** em pessoas com dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, o protocolo específico de aplicações reduz a frequência das crises. - **Sialorreia:** diminui a salivação excessiva em doenças neurológicas. - **Tremor:** em casos selecionados, especialmente tremor de cabeça e de voz. A indicação é sempre individual: nasce de um diagnóstico preciso, não do sintoma isolado. ## Como é a consulta e a aplicação? 1. **Avaliação:** o neurologista confirma o diagnóstico, examina os músculos envolvidos e define se a toxina é a melhor opção para o caso. 2. **Planejamento:** são escolhidos os músculos-alvo, os pontos e as quantidades, com base na condição e na anatomia de cada pessoa. 3. **Aplicação:** feita no consultório, com agulhas muito finas, em poucos minutos. Não exige jejum, anestesia nem afastamento das atividades. 4. **Orientações:** recomendações simples para as primeiras horas, como evitar massagear os locais aplicados. 5. **Reavaliação:** o retorno avalia a resposta e ajusta o esquema para o ciclo seguinte. ## Quando começa o efeito e quanto dura? A melhora costuma começar nos primeiros dias após a aplicação, com efeito máximo em torno de duas a quatro semanas. A duração habitual do benefício fica entre três e quatro meses, variando de pessoa para pessoa e conforme a condição tratada. Com isso, a maioria dos pacientes realiza de três a quatro ciclos por ano. ## Quais são os cuidados e possíveis efeitos adversos? A toxina botulínica terapêutica tem perfil de segurança bem conhecido. Os efeitos indesejados, quando ocorrem, costumam ser locais e temporários: dor discreta ou pequeno hematoma no ponto de aplicação e, a depender da região, fraqueza transitória de músculos vizinhos, como leve queda da pálpebra. Esses efeitos regridem sozinhos, e o planejamento cuidadoso dos pontos reduz sua chance. Situações que exigem avaliação especial, como gravidez, doenças da junção neuromuscular e uso de certos antibióticos, são verificadas antes da indicação. ## Por que a aplicação faz parte de um plano maior? A toxina resolve o excesso de contração, mas os resultados mais consistentes aparecem quando ela se integra a um plano: fisioterapia que aproveita a janela de relaxamento, ajustes de medicamentos, adaptações de rotina e acompanhamento regular. O objetivo final não é a aplicação em si, e sim o que ela permite recuperar: postura, conforto, função e participação na vida diária. ## Perguntas frequentes ### A aplicação de toxina botulínica dói? O desconforto costuma ser pequeno e breve. As agulhas usadas são muito finas e cada ponto de aplicação leva segundos. Algumas regiões são mais sensíveis que outras, e o incômodo varia de pessoa para pessoa. Na maioria dos casos, o procedimento inteiro dura poucos minutos e não exige anestesia nem repouso. ### Quanto tempo dura o efeito? Em geral, o efeito clínico dura em torno de três a quatro meses, variando conforme a condição tratada e a resposta individual. O início da melhora costuma aparecer nos primeiros dias, com efeito máximo em duas a quatro semanas. Por isso as aplicações são programadas em ciclos regulares ao longo do ano. ### Posso fazer fisioterapia junto com a toxina? Sim, e em muitas condições a combinação é o ideal. Na espasticidade e nas distonias, a janela de relaxamento muscular que a toxina proporciona é aproveitada pela fisioterapia para ganhar amplitude, função e postura. O plano de reabilitação é alinhado com o ciclo de aplicações para melhor resultado. ### O plano de saúde cobre a toxina botulínica terapêutica? Para diversas indicações neurológicas há previsão de cobertura pelos planos de saúde, conforme as regras vigentes da ANS e os critérios de cada operadora. A documentação médica com a indicação é fornecida após a avaliação, e a solicitação é feita junto ao plano. As condições variam caso a caso. ### A toxina terapêutica é a mesma usada na estética? A substância é a mesma, mas o objetivo, os músculos-alvo, as quantidades e o planejamento são completamente diferentes. No uso neurológico, o alvo é reduzir contrações involuntárias, dor e outros sintomas, com doses e pontos definidos pela condição tratada. Não se trata de procedimento estético. ### Preciso reaplicar para sempre? O efeito da toxina é temporário, então o controle dos sintomas depende de manter os ciclos. Isso não é um problema em si: funciona como um tratamento contínuo, com reavaliação a cada aplicação. Algumas pessoas conseguem espaçar os intervalos com o tempo, e o plano é sempre reavaliado junto com o paciente. --- # Enxaqueca e dor de cabeça URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/enxaqueca-e-dor-de-cabeca Atualizado em: 2026-09-16 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** Enxaqueca é uma doença neurológica que causa crises de dor de cabeça, em geral latejante, com náusea e sensibilidade à luz e ao som. Quando as crises se repetem em 15 ou mais dias por mês, fala-se em enxaqueca crônica. Há tratamento eficaz para as crises e para a prevenção, incluindo a toxina botulínica. ## Toda dor de cabeça é enxaqueca? Não. Existem dezenas de tipos de dor de cabeça. Os mais comuns são a cefaleia tensional, uma dor em pressão, dos dois lados, geralmente leve a moderada, e a enxaqueca, que costuma ser latejante, de um lado, moderada a forte, piora com esforço e vem acompanhada de náusea e incômodo com luz e barulho. Diferenciar o tipo importa porque o tratamento muda. E há um dado que surpreende: a enxaqueca é uma das doenças mais incapacitantes do mundo em anos vividos com limitação, embora ainda seja tratada como "frescura" por quem não a tem. ## O que é a aura da enxaqueca? Cerca de um quarto das pessoas com enxaqueca tem aura: sintomas neurológicos transitórios que antecedem ou acompanham a dor. A mais comum é a visual, com pontos brilhantes, linhas em zigue-zague ou falhas no campo de visão que evoluem ao longo de minutos e desaparecem em menos de uma hora. A aura típica tem esse ritmo lento e reversível. Sintomas súbitos, como perda de visão instantânea ou fraqueza de um lado do corpo, não são aura típica: são situação de emergência. ## O que é enxaqueca crônica? Fala-se em enxaqueca crônica quando a dor de cabeça está presente em 15 ou mais dias por mês, por mais de três meses, sendo pelo menos oito dias com características de enxaqueca. É um quadro que costuma se instalar aos poucos: as crises vão ficando mais frequentes até a dor virar quase diária. Dois fatores alimentam essa evolução com frequência: o uso excessivo de analgésicos e a falta de um tratamento preventivo adequado. A boa notícia é que a enxaqueca crônica tem tratamento específico, incluindo o protocolo de toxina botulínica. ## Analgésico demais pode piorar a dor? Pode, e esse é um dos pontos mais importantes desta página. O uso de analgésicos comuns em 15 ou mais dias por mês, ou de medicamentos específicos para crise em 10 ou mais dias por mês, pode causar a cefaleia por uso excessivo de medicamentos. O remédio alivia na hora, mas mantém o cérebro sensibilizado, e a dor volta cada vez mais cedo. Se você percebe que toma analgésico quase todo dia, não é falta de força de vontade: é um ciclo que precisa de ajuda médica para ser desfeito, com plano de transição e tratamento preventivo. ## Quando procurar um neurologista e quando ir à emergência? Procure consulta quando a dor de cabeça se repete todo mês, atrapalha trabalho ou estudo, exige analgésicos frequentes ou mudou de padrão. Procure emergência, ou ligue 192, quando houver: dor súbita e explosiva, a pior da vida; dor com fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou perda de visão; dor com febre alta e rigidez de nuca; dor após traumatismo de crânio; ou crise convulsiva. ## Como é a avaliação? A consulta reconstrói a história das dores: idade de início, frequência, duração, características, gatilhos, o que já foi usado e em que dose de dias por mês. Um diário de crises, mesmo simples, vale ouro. O exame neurológico completo procura sinais que indiquem investigação adicional. Exames de imagem são solicitados quando há sinais de alarme ou achados no exame; na enxaqueca típica com exame normal, o diagnóstico é clínico. ## Como é o tratamento? O tratamento tem dois braços que trabalham juntos: - **Tratamento das crises:** medicamentos para interromper a dor no início, usados da forma certa e com limite de dias por mês para não gerar o efeito rebote. - **Tratamento preventivo:** para quem tem crises frequentes ou incapacitantes. Inclui medicamentos diários de diferentes classes e, na enxaqueca crônica, o protocolo de toxina botulínica a cada 12 semanas. Completam o plano: regularidade de sono e refeições, atividade física, manejo do estresse e a identificação dos gatilhos individuais. O objetivo é claro: menos dias de dor, crises mais fáceis de tratar e a rotina de volta ao seu controle. ## Perguntas frequentes ### Quando a dor de cabeça é perigosa? Os principais sinais de alarme são: dor muito intensa e súbita, como uma explosão; dor acompanhada de fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou perda de visão; dor com febre e rigidez de nuca; dor nova após os 50 anos; e mudança clara no padrão de uma dor antiga. Nesses casos, procure emergência ou ligue 192. ### Tomar analgésico todo dia faz mal? Faz, e pode piorar a própria dor. O uso de analgésicos em muitos dias do mês pode gerar a cefaleia por uso excessivo de medicamentos, em que o remédio passa a alimentar o ciclo da dor. É uma das causas mais comuns de dor de cabeça diária, e tem tratamento: reorganizar o esquema com acompanhamento médico. ### Toxina botulínica funciona para enxaqueca? Funciona para um grupo específico: pessoas com enxaqueca crônica, ou seja, dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês há mais de três meses. Nesse grupo, o protocolo de aplicações a cada 12 semanas reduz a frequência e a intensidade das crises. Para enxaqueca episódica, outros tratamentos preventivos são indicados. ### Enxaqueca tem cura? A enxaqueca é uma condição de base genética, então o objetivo do tratamento é o controle, não a cura definitiva. Com o tratamento certo, a maioria das pessoas reduz muito a frequência e a intensidade das crises e recupera previsibilidade na rotina. Muitos pacientes chegam a longos períodos sem crises. ### O que costuma desencadear as crises? Os gatilhos variam de pessoa para pessoa. Os mais relatados são: irregularidade de sono, jejum prolongado, estresse e o relaxamento após o estresse, período menstrual, alguns alimentos e bebidas alcoólicas, desidratação e excesso de cafeína. Identificar os próprios gatilhos, com um diário de crises, ajuda no controle. ### Preciso de exame de imagem para enxaqueca? Nem sempre. Quando a história é típica e o exame neurológico é normal, o diagnóstico de enxaqueca é clínico e a imagem pode ser desnecessária. A ressonância entra quando há sinais de alarme, mudança de padrão ou achados no exame. Essa decisão é individualizada na consulta. --- # Memória e demências URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/memoria-e-demencias Atualizado em: 2026-09-16 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** Esquecer um nome de vez em quando é normal, principalmente com o avançar da idade. O sinal de alerta é o esquecimento que se repete, piora e atrapalha a vida diária. Nem toda perda de memória é Alzheimer: há causas tratáveis, e a avaliação neurológica diferencia o envelhecimento normal da doença. ## Que esquecimento é normal e qual é sinal de alerta? Com o passar dos anos, é esperado que a mente fique um pouco menos ágil: demorar a lembrar um nome, esquecer onde guardou um objeto, precisar de listas. Esses lapsos, quando ocasionais e estáveis, fazem parte do envelhecimento normal. Os sinais que merecem investigação são outros: - repetir a mesma pergunta ou a mesma história várias vezes no mesmo dia; - esquecer conversas ou compromissos recentes por completo, não só detalhes; - perder-se em trajetos conhecidos; - dificuldade nova para lidar com dinheiro, contas ou medicamentos; - trocar nomes de objetos ou ter dificuldade crescente para encontrar palavras; - mudanças de comportamento: desconfiança, apatia, irritabilidade fora do padrão. Uma pista prática: quando é a própria pessoa que se queixa e a família não nota nada, o quadro costuma ser mais leve. Quando é a família que percebe e a pessoa minimiza, a investigação se torna mais importante. ## Nem toda perda de memória é Alzheimer? Exato, e esse é um dos pontos centrais da avaliação. Existem causas de declínio cognitivo que são tratáveis e, em parte dos casos, reversíveis: - alterações da tireoide; - deficiência de vitamina B12; - depressão, que em pessoas idosas pode se manifestar como queixa de memória; - efeitos de medicamentos, especialmente sedativos e combinações extensas; - apneia do sono não tratada; - alterações metabólicas e infecções; - hidrocefalia de pressão normal, entre outras. Investigar antes de rotular é obrigação. O diagnóstico de demência só se sustenta depois de afastadas as causas tratáveis. ## O que é demência e o que é a doença de Alzheimer? Demência é um termo guarda-chuva: descreve o declínio de funções cognitivas, como memória, linguagem e raciocínio, intenso o bastante para atrapalhar a vida diária. Não é uma doença única, é uma síndrome com muitas causas. A doença de Alzheimer é a causa mais comum, marcada tipicamente pelo comprometimento inicial da memória recente. Mas há outras: a demência vascular, ligada a alterações da circulação cerebral; a demência com corpos de Lewy, que combina alterações cognitivas flutuantes, alucinações visuais e parkinsonismo; e a demência frontotemporal, que costuma começar por mudanças de comportamento ou de linguagem. Identificar a causa importa porque o tratamento, o aconselhamento e o planejamento familiar mudam conforme o diagnóstico. ## Como é feita a avaliação da memória? A avaliação começa com uma conversa detalhada, de preferência com um familiar próximo presente: o que mudou, desde quando, com que velocidade, e como está o dia a dia. Em seguida, testes cognitivos aplicados em consulta medem memória, atenção, linguagem, orientação e função executiva. Exames de sangue procuram as causas tratáveis, e o exame de imagem, em geral a ressonância magnética, avalia a estrutura do cérebro. Em casos selecionados, a avaliação neuropsicológica completa, feita por profissional da psicologia, detalha o perfil cognitivo e ajuda a acompanhar a evolução. ## Como é o tratamento e o acompanhamento? Quando a investigação encontra causa tratável, o tratamento é o dela, com reavaliação da cognição depois. Nas demências degenerativas, o plano combina: - **Medicamentos** que ajudam os sintomas cognitivos e comportamentais, escolhidos conforme o tipo de demência e a fase; - **Estimulação e rotina:** atividades significativas, convívio social, exercício físico regular; - **Ajustes de segurança:** medicações organizadas, ambiente adaptado, atenção a direção veicular e finanças; - **Acompanhamento regular** para ajustar o plano a cada fase e antecipar decisões com a família. ## Qual é o papel da família e do cuidador? Central. É a família que percebe as mudanças, garante a rotina e sustenta o cuidado. Algumas orientações que fazem diferença: manter horários estáveis, usar calendários e lembretes visíveis, simplificar escolhas, evitar confrontos sobre esquecimentos e priorizar a segurança em casa. E uma orientação que costuma ser esquecida: cuidar de quem cuida. A sobrecarga do cuidador é real e afeta a saúde de quem a vive. Dividir tarefas entre familiares, aceitar ajuda e trazer o cuidador à consulta fazem parte do tratamento. ## Perguntas frequentes ### Esquecer nomes é normal? Esquecimentos ocasionais são comuns em qualquer idade e aumentam um pouco com os anos: esquecer onde deixou a chave, demorar a lembrar um nome que depois vem. O padrão preocupante é diferente: repetir a mesma pergunta várias vezes, esquecer conversas inteiras recentes ou se perder em trajetos conhecidos. ### Demência tem tratamento? Tem, em mais de um sentido. Algumas causas de declínio cognitivo são reversíveis quando tratadas, como alterações de tireoide e deficiência de vitamina B12. Nas demências degenerativas, como o Alzheimer, há medicamentos que ajudam os sintomas, além de estimulação, atividade física e organização do cuidado, que fazem diferença real. ### Qual exame avalia a memória? A base é a avaliação clínica: conversa detalhada com o paciente e um familiar próximo, mais testes cognitivos aplicados em consulta, que medem memória, atenção, linguagem e outras funções. Exames de sangue e de imagem completam a investigação para identificar a causa. Quando necessário, a avaliação neuropsicológica aprofunda o exame. ### Alzheimer é hereditário? Na grande maioria dos casos, não de forma direta. Ter um parente com Alzheimer aumenta um pouco o risco, mas as formas com herança genética forte são raras e costumam começar cedo, antes dos 65 anos. Idade, escolaridade, saúde do coração, sono, audição e atividade física e social pesam bastante no risco individual. ### O que posso fazer para proteger a memória? As medidas com melhor evidência são: controlar pressão, diabetes e colesterol; praticar atividade física regular; tratar perda auditiva; dormir bem; manter vida social e atividades que desafiem a mente; e não fumar. Nenhuma garante proteção completa, mas o conjunto reduz o risco de declínio cognitivo e beneficia todo o organismo. ### Como ajudar um familiar que está esquecido? Primeiro, leve-o a uma avaliação, e acompanhe a consulta: o relato de quem convive é essencial. Em casa, ajudam rotinas estáveis, calendários e listas visíveis, paciência para não corrigir com aspereza e atenção à segurança. E cuide de quem cuida: dividir tarefas e buscar apoio evita a sobrecarga do cuidador. --- # Epilepsia URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/epilepsia Atualizado em: 2026-10-02 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** Epilepsia é uma condição neurológica em que o cérebro tem tendência a gerar crises epilépticas repetidas, sem um fator provocador imediato. Uma crise isolada não significa epilepsia. O diagnóstico se baseia no relato das crises, no eletroencefalograma e na ressonância. Na maioria dos casos, as crises são controladas com medicamentos de uso contínuo. > **Em caso de urgência:** crise que dura mais de 5 minutos, crises seguidas sem que a pessoa recupere a consciência, primeira crise da vida, ferimento, gestação ou dificuldade para respirar exigem atendimento imediato. Ligue 192 (SAMU) ou procure o pronto-socorro. O WhatsApp do consultório não é canal de urgência. ## Crise epiléptica e epilepsia são a mesma coisa? Não. A crise epiléptica é um evento: uma descarga elétrica anormal e passageira de um grupo de neurônios, que pode causar desde uma breve "ausência" até uma convulsão com queda e abalos no corpo todo. Já a epilepsia é a condição em que o cérebro tem tendência duradoura a repetir essas crises, sem um fator provocador imediato. Uma pessoa pode ter uma crise isolada, por exemplo por queda importante do açúcar no sangue ou por abstinência de álcool, e nunca mais ter outra. Por isso o diagnóstico de epilepsia depende de uma avaliação cuidadosa, e não apenas do fato de ter havido uma crise. ## Quais são os tipos de crise? As crises são agrupadas conforme a região do cérebro onde começam: - **Crises focais:** começam em uma área restrita do cérebro. A pessoa pode ter sensações estranhas (cheiro, gosto, mal-estar que sobe do estômago), movimentos repetidos de um braço ou do rosto, ou ficar com o olhar parado e não responder por alguns instantes. Algumas evoluem para uma convulsão. - **Crises generalizadas:** envolvem os dois lados do cérebro desde o início. A mais conhecida é a crise tônico-clônica (a convulsão), com perda de consciência, rigidez e abalos. - **Crises de ausência:** desligamentos muito breves, de poucos segundos, mais comuns em crianças. Podem ser confundidos com distração. Nem toda crise tem abalos. Muitas passam despercebidas por anos, e o relato de quem presencia é o que permite reconhecê-las. ## O que fazer durante uma crise? A maioria das crises termina sozinha em um a três minutos. O papel de quem está perto é proteger, não interromper: 1. Mantenha a calma e marque o tempo no relógio. 2. Afaste móveis e objetos que possam machucar. 3. Proteja a cabeça com algo macio, como um casaco dobrado. 4. Assim que possível, vire a pessoa de lado, para a saliva escorrer. 5. Afrouxe roupas apertadas no pescoço. 6. Fique ao lado até a recuperação completa da consciência. O que não fazer: não coloque nada na boca (ninguém "engole a língua"), não tente segurar os movimentos, não ofereça água, comida ou remédio durante a crise e não jogue água no rosto. ## Quando ligar 192? Ligue para o SAMU (192) quando: - a crise durar mais de 5 minutos; - houver crises seguidas, sem que a pessoa recupere a consciência entre elas; - for a primeira crise da vida; - houver ferimento, queda com batida forte da cabeça ou crise dentro da água; - a pessoa estiver grávida ou tiver diabetes; - houver dificuldade para respirar ou a pessoa não acordar depois da crise. Em quem já tem o diagnóstico e apresenta uma crise habitual, curta e com boa recuperação, o atendimento de emergência nem sempre é necessário. Vale combinar com o neurologista um plano claro para essas situações. ## Como é feita a investigação? A consulta é a parte mais importante. Como a pessoa quase nunca se lembra da crise, o relato de uma testemunha faz muita diferença. Se for possível, traga à consulta alguém que presenciou o episódio. Um vídeo da crise gravado no celular ajuda muito a identificar o tipo. Os exames mais usados são: - **Eletroencefalograma (EEG):** registra a atividade elétrica do cérebro e pode mostrar alterações típicas. Um exame normal não exclui epilepsia. - **Ressonância magnética do crânio:** procura cicatrizes, malformações ou outras alterações que expliquem as crises. - **Exames de sangue:** avaliam causas metabólicas e servem de base para o acompanhamento do tratamento. Parte da investigação é também afastar outras condições que se parecem com crise epiléptica, como desmaios, alterações do sono e crises de origem emocional. ## Como é o tratamento? O tratamento é feito, na maior parte dos casos, com medicamentos anticrise, de uso diário e contínuo. A escolha considera o tipo de crise, a idade, outras doenças, outros remédios em uso e o planejamento de gravidez. Cerca de dois terços das pessoas ficam sem crises com o medicamento adequado. O ponto mais importante é a regularidade. Esquecer doses ou interromper o remédio por conta própria é a causa mais comum de retorno das crises, e a parada brusca pode provocar crises prolongadas. Qualquer mudança deve ser combinada em consulta. Quando as crises persistem mesmo com o uso correto de medicamentos, existem outras opções, como dieta específica, estimulação do nervo vago e cirurgia, avaliadas caso a caso em centros dedicados. ## O que pode desencadear crises? Em quem tem epilepsia, alguns fatores facilitam o aparecimento de crises: - noites mal dormidas e privação de sono; - bebidas alcoólicas, principalmente em excesso; - esquecimento de doses do medicamento; - febre, infecções e estresse intenso; - em uma parcela pequena das pessoas, luzes piscantes. Reconhecer os próprios gatilhos e manter rotina de sono regular faz parte do tratamento. ## Como é a vida com epilepsia? Com as crises controladas, a maioria das pessoas estuda, trabalha, pratica esporte e forma família. Alguns cuidados valem a conversa com o neurologista: - **Trabalho:** atividades em altura, com máquinas ou com direção profissional pedem avaliação individual. - **Direção:** a liberação depende de um período sem crises e das regras do Detran. - **Gestação:** deve ser planejada com antecedência, para ajuste do tratamento. - **Banho e natação:** preferir chuveiro a banheira e nadar sempre acompanhado enquanto as crises não estiverem controladas. Informar familiares, colegas e professores sobre o que fazer em uma crise reduz o medo e o preconceito, que muitas vezes pesam mais do que a própria condição. ## Perguntas frequentes ### Toda convulsão é epilepsia? Não. Uma crise pode acontecer uma única vez na vida, provocada por febre alta na infância, queda importante de açúcar no sangue, abstinência de álcool, traumatismo ou uso de certas substâncias. Fala-se em epilepsia quando existe tendência duradoura a ter crises sem um fator provocador imediato. Por isso, toda primeira crise merece avaliação médica. ### O que fazer quando alguém tem uma crise? Mantenha a calma e marque o tempo. Afaste objetos que possam machucar, proteja a cabeça com algo macio e, assim que possível, vire a pessoa de lado. Não coloque nada na boca, não tente segurar os movimentos e não ofereça água ou remédio. Fique ao lado até a recuperação completa. Se a crise passar de 5 minutos, ligue 192. ### Epilepsia tem cura? Depende da causa. Algumas formas da infância desaparecem com o crescimento. Em muitos adultos, o objetivo é o controle: cerca de dois terços das pessoas ficam sem crises com o medicamento adequado. Depois de anos sem crises, o neurologista pode avaliar a redução gradual do tratamento. Casos que não respondem aos medicamentos têm outras opções, avaliadas individualmente. ### Quem tem epilepsia pode dirigir? Em muitos casos, sim, desde que as crises estejam controladas e as regras de trânsito sejam respeitadas. No Brasil, a liberação depende de um período mínimo sem crises, de parecer do médico assistente e da avaliação do perito do Detran. Enquanto as crises não estiverem controladas, dirigir coloca em risco a própria pessoa e os outros. Converse com o seu neurologista sobre o seu caso. ### Posso parar o remédio se fiquei sem crises? Não por conta própria. Ficar sem crises costuma ser sinal de que o medicamento está funcionando, e não de que ele deixou de ser necessário. A interrupção brusca pode provocar crises mais fortes e prolongadas. Quando faz sentido reduzir, isso é feito aos poucos, com plano definido em consulta e acompanhamento. ### Mulheres com epilepsia podem engravidar? Sim. A maioria das mulheres com epilepsia tem gestação e bebê saudáveis. O ideal é planejar: alguns medicamentos são mais seguros que outros na gravidez, as doses podem precisar de ajuste e o uso de ácido fólico costuma começar antes da concepção. Nunca suspenda o tratamento ao descobrir a gravidez. Procure o neurologista e o obstetra o quanto antes. --- # Neuropatias periféricas URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/neuropatias-perifericas Atualizado em: 2026-10-02 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** Neuropatia periférica é o nome dado às doenças dos nervos que ligam a medula ao restante do corpo. Costuma causar formigamento, dormência, queimação ou fraqueza, geralmente começando pelos pés. O diabetes é a causa mais comum, mas há muitas outras. O tratamento depende de encontrar a causa e de aliviar os sintomas. ## O que são os nervos periféricos? Os nervos periféricos são os "fios" que saem da medula e chegam à pele, aos músculos e aos órgãos. Eles levam ao cérebro as informações de tato, dor, temperatura e posição do corpo, e trazem de volta os comandos para os músculos se moverem. Outros nervos, chamados autonômicos, regulam funções automáticas, como pressão arterial, suor e funcionamento do intestino. Neuropatia periférica é o termo usado quando esses nervos adoecem. Como os nervos mais longos são os mais vulneráveis, os sintomas costumam começar pelos pés e, com o tempo, podem chegar às mãos. É o padrão conhecido como "em bota e luva". ## Quais são os sintomas? Os sintomas variam conforme o tipo de nervo afetado: - formigamento, sensação de agulhadas ou de "pés dormentes"; - dormência e perda de sensibilidade, como se estivesse usando uma meia grossa; - queimação ou choques, muitas vezes piores à noite; - fraqueza para ficar na ponta dos pés, subir escadas ou abrir potes; - desequilíbrio, principalmente no escuro ou de olhos fechados; - câimbras e perda de massa muscular nos pés e nas pernas; - tontura ao levantar, alterações do suor ou do intestino, quando os nervos autonômicos são atingidos. Em geral, o quadro se instala devagar, ao longo de meses ou anos. Muitas pessoas só percebem quando tropeçam com mais frequência ou notam feridas nos pés que não doem. ## Quais são as causas mais comuns? A lista de causas é longa, e encontrar a origem é a parte central da avaliação. As mais frequentes são: - **Diabetes e pré-diabetes:** a causa mais comum no mundo. - **Deficiência de vitamina B12** e de outras vitaminas. - **Consumo de álcool** por tempo prolongado. - **Medicamentos:** alguns quimioterápicos e outros remédios de uso contínuo. - **Doenças da tireoide e dos rins.** - **Causas autoimunes e inflamatórias,** em que o sistema de defesa ataca os nervos. - **Causas hereditárias,** que passam de pais para filhos e costumam ter pés muito arqueados e evolução lenta. - **Infecções,** como hanseníase e HIV. Em uma parte dos casos, nenhuma causa é encontrada mesmo após investigação completa. Ainda assim, há tratamento para os sintomas e acompanhamento para proteger a função. ## Quando procurar um neurologista? Procure avaliação quando o formigamento ou a dormência persistirem por mais de algumas semanas, quando houver queimação que atrapalha o sono, fraqueza, quedas ou feridas nos pés que você não sentiu surgir. Quem tem diabetes deve ter os pés examinados com regularidade, mesmo sem queixas. **Sinal de alerta:** fraqueza que piora em horas ou poucos dias, principalmente se sobe das pernas para os braços ou vem com dificuldade para respirar ou engolir, exige atendimento de urgência. Ligue 192 ou procure o pronto-socorro. ## Como é feita a investigação? A investigação começa pela conversa: quando os sintomas apareceram, como evoluíram, quais doenças e medicamentos existem, hábitos de alimentação e de consumo de álcool, e casos parecidos na família. Em seguida vem o exame neurológico, que testa força, reflexos, equilíbrio e os diferentes tipos de sensibilidade, com instrumentos simples como diapasão e monofilamento. Esse exame mostra quais nervos estão envolvidos e orienta os pedidos seguintes: - **Exames de sangue:** glicemia, hemoglobina glicada, vitamina B12, função da tireoide e dos rins, entre outros conforme o caso. - **Eletroneuromiografia:** mede a condução dos nervos e a resposta dos músculos. Ajuda a confirmar a neuropatia, definir o tipo e a gravidade. - **Outros exames,** como estudo genético ou do líquor, em situações específicas. ## Como é o tratamento? O tratamento tem duas frentes que caminham juntas. A primeira é tratar a causa, sempre que ela for identificada: controlar o diabetes, repor vitaminas, interromper o álcool, ajustar um medicamento ou tratar uma doença inflamatória. Essa é a medida que pode interromper a lesão e, em alguns casos, permitir a recuperação dos nervos, que é lenta. A segunda é aliviar os sintomas. A queimação e os choques respondem a medicamentos próprios para dor de origem nervosa, diferentes dos analgésicos comuns. A fisioterapia trabalha força e equilíbrio e reduz o risco de quedas. Órteses e calçados adequados ajudam quando há fraqueza nos pés. O acompanhamento periódico permite avaliar a evolução e ajustar o plano. ## Que cuidados ajudam no dia a dia? Quando a sensibilidade dos pés diminui, pequenos machucados passam despercebidos e podem se complicar. Alguns hábitos protegem: - olhar os pés todos os dias, incluindo a planta e entre os dedos, com ajuda de um espelho ou de um familiar; - usar calçados fechados e confortáveis, e nunca andar descalço; - testar a temperatura da água do banho com a mão ou o cotovelo; - cortar as unhas retas e hidratar a pele; - manter boa iluminação em casa e retirar tapetes soltos; - praticar atividade física regular, conforme orientação. Esses cuidados são simples, mas fazem diferença real para manter a autonomia. ## Perguntas frequentes ### Formigamento nos pés é sempre neuropatia? Não. Formigamento passageiro acontece com qualquer pessoa, por exemplo ao ficar muito tempo na mesma posição. Também pode vir de problemas na coluna, de má circulação ou de ansiedade. Levanta suspeita de neuropatia o formigamento que persiste por semanas, aparece nos dois pés, sobe aos poucos pelas pernas ou vem com dormência, queimação ou desequilíbrio. ### Diabetes causa neuropatia? Sim, é a causa mais frequente. O açúcar elevado por anos lesa os nervos mais longos, e por isso os sintomas começam nos pés. A neuropatia pode aparecer até na fase de pré-diabetes. O controle da glicemia é a principal forma de evitar a progressão, junto com o cuidado diário com os pés, porque a perda de sensibilidade favorece feridas. ### O que é eletroneuromiografia? É um exame que mede como os nervos conduzem os estímulos elétricos e como os músculos respondem. Usa pequenos choques na pele e, em uma segunda parte, uma agulha fina no músculo. Causa algum desconforto, mas é rápido e seguro. Ajuda a confirmar a neuropatia, mostrar o tipo de lesão e a gravidade. Nem todos os casos precisam dele. ### Neuropatia tem cura? Depende da causa. Quando ela é tratável, como a falta de vitamina B12, alterações da tireoide, uso de álcool ou de um medicamento específico, os nervos podem se recuperar, de forma lenta, ao longo de meses. Em outras causas, o objetivo é impedir a piora, aliviar a dor e o formigamento e preservar o equilíbrio e a autonomia. ### Vitamina B12 baixa pode causar formigamento? Pode. A vitamina B12 é necessária para a manutenção dos nervos, e a falta dela causa formigamento, dormência, desequilíbrio e, às vezes, alterações de memória. É mais comum em idosos, em quem fez cirurgia bariátrica, em vegetarianos estritos e em quem usa certos medicamentos por muito tempo. O diagnóstico é feito por exame de sangue, e a reposição é simples. --- # Dor neuropática URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/dor-neuropatica Atualizado em: 2026-10-02 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** Dor neuropática é a dor causada por lesão ou doença dos nervos, da medula ou do cérebro. Costuma ser descrita como queimação, choque, pontada ou sensibilidade exagerada ao toque. Analgésicos comuns ajudam pouco. O tratamento usa medicamentos que atuam nos nervos, associados a reabilitação, com o objetivo de reduzir a dor e recuperar a função. ## O que é dor neuropática? A dor comum funciona como um alarme: um corte, uma torção ou uma inflamação ativam os nervos, que avisam o cérebro de que algo está errado. Na dor neuropática, o defeito está no próprio sistema de alarme. Os nervos, a medula ou áreas do cérebro foram lesados e passam a gerar ou amplificar sinais de dor por conta própria. Por isso a dor neuropática pode aparecer em uma região sem nenhum machucado visível, persistir depois que a lesão inicial cicatrizou e responder mal aos analgésicos e anti-inflamatórios habituais. ## Como diferenciar da dor muscular ou articular? A dor muscular ou articular costuma ser descrita como peso, aperto ou dor "cansada". Piora com o movimento ou com a carga, melhora com o repouso e fica em torno de um músculo ou de uma articulação. Já a dor neuropática tem características próprias: segue o trajeto de um nervo ou ocupa uma área de pele, pode aparecer em repouso e à noite, e vem junto com outras alterações de sensibilidade, como formigamento e dormência. As duas podem existir ao mesmo tempo, o que é frequente em problemas de coluna. ## Como a dor neuropática costuma ser descrita? As palavras usadas por quem sente ajudam muito no diagnóstico: - queimação ou ardência; - choques elétricos e fisgadas rápidas; - pontadas e agulhadas; - frio doloroso; - formigamento e dormência na mesma região; - dor provocada por estímulos que não deveriam doer, como o toque do lençol, da roupa ou de um vento leve. Esse último fenômeno tem nome: alodinia. Ele mostra que o sistema nervoso está interpretando como dor um estímulo inofensivo. ## Quais são as causas? Qualquer condição que lese as vias da sensibilidade pode causar dor neuropática. As mais comuns são: - **Neuropatia diabética:** queimação nos pés, pior à noite. - **Neuralgia pós-herpética:** dor que permanece depois do herpes-zóster. - **Compressão de nervos:** hérnia de disco com dor que irradia para a perna ou o braço, síndrome do túnel do carpo. - **Neuralgia do trigêmeo:** choques fortes e rápidos em um lado do rosto. - **Após AVC ou lesões da medula:** dor em áreas que perderam parte da sensibilidade. - **Após cirurgias ou traumas** que atingiram um nervo. - **Tratamentos oncológicos,** como alguns quimioterápicos. ## Quando procurar um neurologista? Procure avaliação quando a dor tiver as características descritas acima e durar mais de algumas semanas, quando atrapalhar o sono, o trabalho ou o humor, ou quando os analgésicos comuns não fizerem efeito. Dor acompanhada de fraqueza, perda de sensibilidade ou alteração para urinar pede avaliação rápida. Dor súbita e muito intensa, com fraqueza em um lado do corpo ou dificuldade para falar, é situação de emergência: ligue 192. ## Como é feita a avaliação? O diagnóstico é principalmente clínico. A consulta reúne a história da dor (onde é, como é, quando começou, o que piora e o que alivia) e as doenças e tratamentos anteriores. Questionários padronizados ajudam a medir a intensidade e a identificar o componente neuropático. No exame neurológico, a sensibilidade da área dolorosa é testada com toque leve, alfinete, frio e vibração, e comparada com o lado sem dor. Força e reflexos completam a avaliação. Exames são pedidos para encontrar a causa, e não para "enxergar" a dor: exames de sangue, eletroneuromiografia e ressonância da coluna ou do crânio, conforme a suspeita. Exames normais não significam que a dor não existe. ## Como é o tratamento? O tratamento combina várias medidas, e o plano é montado de forma individual: - **Tratar a causa,** quando possível: controlar o diabetes, repor vitaminas, descomprimir um nervo. - **Medicamentos específicos para dor neuropática:** pertencem a classes que regulam a atividade dos nervos, originalmente desenvolvidas como antidepressivos e anticrise, usadas aqui com outra finalidade. A dose começa baixa e é ajustada aos poucos. - **Tratamentos locais,** como adesivos e cremes, para áreas pequenas de dor. - **Reabilitação:** fisioterapia, exercícios graduais e técnicas de dessensibilização. - **Cuidado com sono, humor e atividade física,** que influenciam diretamente a percepção da dor. - **Procedimentos,** como bloqueios, em casos selecionados. Opioides não são a primeira escolha e têm papel restrito. Evite a automedicação: a combinação de remédios por conta própria traz riscos e raramente resolve. ## O que esperar do tratamento? Expectativas realistas ajudam a não desistir cedo. Na maior parte dos casos, o objetivo não é zerar a dor, e sim reduzi-la a um nível que permita dormir melhor, se movimentar e retomar atividades. Os medicamentos levam algumas semanas para mostrar efeito, e pode ser preciso trocar ou combinar opções até encontrar o esquema adequado. Anotar a intensidade da dor, o sono e as atividades em um diário simples ajuda a enxergar a evolução e orienta os ajustes nas consultas de retorno. ## Perguntas frequentes ### Por que analgésicos comuns não resolvem? Porque eles atuam principalmente na inflamação e na dor que vem de músculos, articulações e outros tecidos. Na dor neuropática, o problema está no próprio sistema de transmissão: nervos lesados enviam sinais de dor sem que exista um machucado. Por isso o tratamento usa medicamentos que regulam a atividade dos nervos, de outras classes, com dose ajustada aos poucos. ### Dor depois do herpes-zóster é neuropática? Sim. O vírus do herpes-zóster, conhecido como cobreiro, inflama e lesa o nervo da região atingida. Em parte das pessoas, principalmente acima dos 60 anos, a dor continua por meses depois que as lesões da pele cicatrizam. É a neuralgia pós-herpética, uma forma típica de dor neuropática. Ela tem tratamento, e o início precoce favorece os resultados. ### Dor neuropática tem cura? Depende da causa. Quando a origem pode ser tratada, como a compressão de um nervo ou a falta de uma vitamina, a dor pode desaparecer. Em outros casos ela é uma condição crônica, e o objetivo realista é reduzir a intensidade, melhorar o sono e recuperar atividades. Uma redução de 30% a 50% da dor já costuma mudar a rotina. ### Quanto tempo o tratamento leva para fazer efeito? Os medicamentos para dor neuropática não agem na hora, como um analgésico. A dose começa baixa e sobe aos poucos, para reduzir efeitos colaterais, e o resultado costuma aparecer em duas a quatro semanas depois de atingir a dose adequada. Por isso é importante usar todos os dias e não desistir nos primeiros dias sem conversar com o médico. ### Fisioterapia ajuda? Ajuda. A dor leva a pessoa a se mexer menos, e a falta de movimento aumenta a rigidez, a fraqueza e a própria dor. A fisioterapia orienta exercícios graduais, técnicas de dessensibilização e, em alguns casos, estimulação elétrica na pele. Associada aos medicamentos, à atividade física regular e ao cuidado com o sono, melhora a função e a qualidade de vida. --- # Alterações do sono URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/tratamentos/alteracoes-do-sono Atualizado em: 2026-10-02 Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 **Resposta direta:** Alterações do sono são problemas para adormecer, manter o sono ou ficar desperto durante o dia, além de movimentos e comportamentos anormais ao dormir. Incluem insônia, sonolência excessiva, síndrome das pernas inquietas e agitação durante os sonhos. Muitas têm origem neurológica ou acompanham doenças como Parkinson, e a avaliação orienta o tratamento adequado. ## Por que o sono interessa ao neurologista? O sono é produzido e organizado pelo cérebro. É durante a noite que ele consolida a memória, regula o humor e elimina substâncias acumuladas ao longo do dia. Por isso, dormir mal de forma repetida afeta a atenção, a memória e a disposição, e piora condições como enxaqueca, epilepsia e dor crônica. O caminho inverso também existe: várias doenças neurológicas alteram o sono, às vezes anos antes de outros sintomas. Avaliar como a pessoa dorme faz parte da consulta neurológica, dentro do cuidado geral com a saúde do cérebro. ## Quando a insônia merece avaliação? Uma noite ruim antes de um dia importante é normal. Fala-se em insônia crônica quando a dificuldade para adormecer, as várias interrupções ou o despertar muito cedo acontecem pelo menos três vezes por semana, por mais de três meses, com prejuízo durante o dia. Na avaliação, o primeiro passo é procurar causas: dor, pernas inquietas, apneia, ansiedade e depressão, uso de cafeína e álcool, telas à noite e medicamentos que atrapalham o sono. O tratamento mais indicado para a insônia crônica é a terapia cognitivo-comportamental para insônia, um conjunto de técnicas que reorganiza hábitos e horários. Medicamentos têm papel em situações específicas e por tempo limitado. ## Por que sinto sono demais durante o dia? Cochilar sem querer em reuniões, na leitura ou ao volante não é preguiça. A sonolência excessiva tem causas que podem ser investigadas: - poucas horas de sono ou horários muito irregulares; - apneia do sono, que fragmenta a noite sem que a pessoa perceba; - medicamentos com efeito sedativo; - doenças neurológicas, como a doença de Parkinson; - narcolepsia, condição rara em que o sono invade o dia de forma irresistível. Sonolência ao dirigir é um sinal de alerta para a segurança e pede avaliação sem demora. ## O que é a síndrome das pernas inquietas? É uma vontade quase incontrolável de mexer as pernas, acompanhada de uma sensação incômoda descrita como formigamento, aflição ou "bicho andando". Ela aparece no repouso, piora no fim da tarde e à noite e alivia ao levantar e andar. O resultado é demora para pegar no sono e noites interrompidas. A investigação inclui exames de sangue para avaliar as reservas de ferro, porque a falta dele é uma causa frequente e tratável. Também se revisam medicamentos que podem piorar o quadro. Quando necessário, há remédios específicos, prescritos após a avaliação. ## Agitação e "luta" durante o sono: o que pode ser? No sono REM, a fase dos sonhos mais vívidos, o corpo normalmente fica paralisado. No distúrbio comportamental do sono REM, essa paralisia falha e a pessoa passa a encenar os sonhos: fala alto, grita, dá socos e chutes, pode cair da cama ou machucar quem dorme ao lado. Os sonhos costumam ser de perseguição ou defesa. Esse distúrbio é mais comum em homens acima dos 50 anos e tem relação com a doença de Parkinson e condições semelhantes: pode surgir anos antes dos sintomas motores. Isso não significa que toda pessoa com o distúrbio vá desenvolver Parkinson, mas justifica o acompanhamento neurológico regular. O tratamento reduz os episódios, e medidas de segurança no quarto evitam ferimentos. ## Ronco e pausas na respiração: quando investigar? Ronco alto, pausas na respiração observadas por quem dorme ao lado, engasgos noturnos, boca seca ao acordar e cansaço pela manhã sugerem apneia obstrutiva do sono. Além da sonolência, ela aumenta o risco de pressão alta, arritmias e AVC, e prejudica a memória. Nessa suspeita, o neurologista solicita o exame do sono e encaminha para avaliação específica com os profissionais que conduzem o tratamento, que pode incluir aparelhos de pressão positiva, aparelhos intraorais e perda de peso. ## Quando a polissonografia é indicada? A polissonografia registra uma noite de sono com sensores que acompanham cérebro, olhos, músculos, respiração e coração. Ela é indicada principalmente quando há suspeita de apneia do sono, de movimentos periódicos das pernas, de distúrbio comportamental do sono REM ou de crises epilépticas noturnas. Na insônia sem outros sinais, o diagnóstico é feito pela conversa e por um diário de sono preenchido por uma ou duas semanas. O exame só é pedido quando pode mudar a conduta. ## Quais hábitos ajudam o sono? Algumas medidas simples melhoram o sono da maioria das pessoas: - manter horários regulares para deitar e levantar, inclusive no fim de semana; - tomar luz natural pela manhã e praticar atividade física, de preferência longe da hora de dormir; - evitar café, chá preto, refrigerantes de cola e chocolate depois do meio da tarde; - evitar álcool à noite: ele dá sono no início, mas fragmenta a segunda metade da noite; - reduzir telas e luz forte na hora que antecede o sono; - deixar o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável; - usar a cama para dormir, e não para trabalhar ou ver televisão; - se o sono não vier em cerca de 20 minutos, levantar, fazer algo calmo e voltar quando o sono aparecer. Se, mesmo com esses cuidados, o sono continuar ruim, não use remédios por conta própria. Procure avaliação para entender a causa. ## Perguntas frequentes ### Insônia é caso de neurologista? Pode ser. A insônia tem muitas causas, e várias delas são avaliadas pelo neurologista: dor crônica, síndrome das pernas inquietas, efeito de medicamentos, doença de Parkinson, alterações de memória e enxaqueca. Quando a dificuldade para dormir dura mais de três meses ou prejudica o dia, vale uma avaliação para identificar a causa e definir o tratamento, que nem sempre é remédio. ### O que é síndrome das pernas inquietas? É uma condição neurológica que causa vontade intensa de mexer as pernas, com sensação incômoda difícil de descrever. Aparece no repouso, piora no fim do dia e à noite e alivia ao andar ou se movimentar. Atrapalha o início do sono. Pode estar ligada à falta de ferro, à gestação, a doenças dos rins e a alguns medicamentos, e tem tratamento. ### Falar ou se mexer muito dormindo é normal? Falar dormindo de vez em quando é comum e não preocupa. Merece avaliação quando a pessoa grita, dá socos e chutes ou cai da cama como se estivesse vivendo o sonho, principalmente depois dos 50 anos. Esse quadro pode ser o distúrbio comportamental do sono REM, que tem tratamento e relação com doenças como a de Parkinson. ### Remédio para dormir vicia? Alguns podem causar tolerância e dependência quando usados por muito tempo, principalmente os calmantes e indutores do sono tomados sem acompanhamento. Em idosos, aumentam o risco de quedas e de confusão. Por isso são indicados por períodos curtos e em situações específicas. Nunca interrompa de uma vez um remédio usado há meses: a retirada deve ser gradual e orientada. ### O que é polissonografia? É um exame que registra o sono durante uma noite inteira. Sensores colados na pele medem a atividade do cérebro, os movimentos dos olhos e das pernas, a respiração, os batimentos do coração e a oxigenação. Não dói. É indicada na suspeita de apneia do sono, de movimentos anormais ou de comportamentos durante o sono. Para a insônia comum, geralmente não é necessária. --- # Notícia: Células-tronco no Parkinson: estudo STEM-PD apresenta resultados de 12 meses URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/noticias/celulas-tronco-parkinson-stem-pd Publicado no site em: 2026-09-16 (fonte original de 2026-07-09) Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 > Pesquisa de fase inicial testa transplante de células produtoras de dopamina. É ciência em andamento, não um tratamento disponível. ## O que foi divulgado? No encontro anual de 2026 da International Society for Stem Cell Research (ISSCR), a sociedade internacional de pesquisa com células-tronco, foram apresentados os resultados de 12 meses do STEM-PD, um estudo clínico de fase I/II conduzido por grupos europeus. Segundo o comunicado oficial, divulgado em 9 de julho de 2026, o estudo testa o transplante de células progenitoras dopaminérgicas, produzidas a partir de células-tronco pluripotentes humanas, em pessoas com doença de Parkinson moderadamente avançada. Um detalhe técnico importante: o produto celular é criopreservado e padronizado, ou seja, produzido e congelado em lotes uniformes, "pronto para uso". A apresentação foi feita pela pesquisadora Malin Parmar, da Universidade de Lund, na Suécia. ## Por que isso é relevante? Na doença de Parkinson, os sintomas motores vêm principalmente da perda dos neurônios que produzem dopamina. A ideia de repor essas células é estudada há décadas, e a novidade dos últimos anos é a capacidade de produzir células dopaminérgicas em laboratório com qualidade e padronização suficientes para estudos clínicos formais. Os resultados de 12 meses do STEM-PD trazem informações sobre segurança, viabilidade e sinais de atividade biológica do transplante, com achados descritos como semelhantes aos de outros grupos que pesquisam abordagens parecidas. É um passo real de um campo promissor, e por isso mesmo pede leitura cuidadosa. ## O que ainda não se sabe? Quase tudo o que importa para a prática. Estudos de fase I/II são desenhados para avaliar segurança em poucas pessoas, não para provar que o tratamento funciona. Ainda não se sabe se o transplante melhora os sintomas de forma consistente, por quanto tempo, para quem, e com que riscos no longo prazo. O próprio comunicado ressalta a necessidade de estudos maiores e com acompanhamento mais longo, além de pesquisas para reduzir a necessidade de imunossupressão, os medicamentos que evitam a rejeição das células. ## O que isso muda para pacientes hoje? Na prática clínica de hoje: nada ainda. Terapias com células-tronco para a doença de Parkinson só existem dentro de estudos clínicos aprovados por comitês de ética e agências reguladoras. Este é um ponto de segurança importante: desconfie de clínicas, no Brasil ou no exterior, que ofereçam "tratamento com células-tronco" para Parkinson fora de pesquisa registrada, cobrando pelo procedimento. Essas ofertas não têm eficácia comprovada e podem causar dano. O tratamento atual da doença de Parkinson, com medicação ajustada, atividade física e reabilitação, continua sendo o caminho com benefício comprovado. Não interrompa nem modifique seu tratamento por causa de notícias de pesquisa: leve as dúvidas à consulta e converse com o neurologista sobre o que faz sentido no seu caso. Fontes: - Comunicado da International Society for Stem Cell Research (ISSCR): https://www.isscr.org/isscr-news/new-clinical-data-presented-at-isscr-2026-advance-stem-cell-based-cell-therapy-for-parkinsons-disease --- # Notícia: Nova diretriz de reabilitação após AVC reforça o começo precoce e o cuidado com o humor URL canônica: https://www.drgabrielfroehner.com.br/noticias/nova-diretriz-reabilitacao-avc-2026 Publicado no site em: 2026-09-16 (fonte original de 2026-08-27) Autor: Dr. Gabriel Sampaio Froehner, neurologista, CRM-PR 32344, RQE 23231 > Documento de 2026 da American Heart Association organiza a recuperação em cinco fases e amplia o papel da família e da telerreabilitação. ## O que foi divulgado? A American Heart Association e a American Stroke Association publicaram, no fim de agosto de 2026, uma nova diretriz de reabilitação e recuperação após o AVC em adultos. O documento saiu no periódico Stroke e substitui a versão anterior, que era de 2016: dez anos de pesquisas condensados em um conjunto extenso de recomendações. A novidade mais didática é a organização da recuperação em cinco fases: hiperaguda (as primeiras 24 horas), aguda (do primeiro ao sétimo dia), subaguda precoce (de 7 dias a 3 meses), subaguda tardia (de 3 a 6 meses) e crônica (após 6 meses). Cada fase tem prioridades e cuidados próprios, o que ajuda equipes e famílias a saberem o que esperar em cada momento. ## Por que isso é relevante? Porque organiza, com base em evidências, algo que as famílias sentem na prática: a recuperação do AVC não termina na alta hospitalar. A diretriz reforça que a reabilitação deve começar cedo, assim que a pessoa está clinicamente estável, e que o cuidado funciona melhor quando é feito por uma equipe de várias áreas: fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, enfermagem, psicologia e medicina. Dois destaques merecem atenção especial. O primeiro é o humor: o documento recomenda procurar ativamente sinais de depressão e ansiedade após o AVC, que são frequentes, atrapalham a reabilitação e muitas vezes passam despercebidos. O segundo é a telerreabilitação, que ganhou espaço como forma de manter o tratamento quando o deslocamento é difícil. A diretriz também amplia as orientações sobre a volta à direção veicular e ao trabalho, com avaliações estruturadas, e sobre o papel da família: orientação, treinamento e apoio a quem cuida fazem parte do tratamento. ## O que ainda não se sabe? Diretrizes resumem a melhor evidência disponível, mas não respondem tudo. Ainda há perguntas abertas sobre a intensidade ideal de reabilitação em cada fase, sobre quais pessoas se beneficiam mais de cada técnica e sobre o papel de tecnologias mais novas, que seguem em estudo. Além disso, o documento foi escrito para o sistema de saúde dos Estados Unidos: os princípios valem aqui, mas a aplicação no Brasil depende dos recursos de cada serviço e da avaliação individual. ## O que isso muda para pacientes hoje? Se você ou um familiar teve um AVC, a mensagem prática é: reabilitação não é opcional nem tardia. Começa cedo, continua em casa e inclui também o cuidado com a memória, o humor e o sono, não só com o movimento. Nenhuma mudança de tratamento deve ser feita por conta própria a partir desta ou de qualquer notícia: converse com o neurologista e com a equipe de reabilitação sobre o que faz sentido para o seu caso. E vale repetir o que não muda nunca: sintomas súbitos como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou perda de visão são emergência. Ligue 192 (SAMU) imediatamente, porque no AVC cada minuto conta. Fontes: - Diretriz 2026 no periódico Stroke (AHA Journals): https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/STR.0000000000000536 - Registro no PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42657476/ - Resumo da AHA Professional Heart Daily: https://professional.heart.org/en/science-news/2026-guideline-for-adult-stroke-rehabilitation-and-recovery - Cobertura do NeurologyLive: https://www.neurologylive.com/view/aha-asa-issue-new-guideline-adult-stroke-rehabilitation-recovery ---